segunda-feira, 30 de junho de 2014

O mistério de Daniel Alves

Ao longo dos meus anos acompanhando futebol e lendo um tanto de história, eu aprendi que um lateral tem três funções principais em campo – e que, por causa delas, é uma posição muito única. São elas: marcar, chegar à linha de fundo e cruzar.

Daniel Alves não marca, mal chega à linha de fundo e definitivamente não cruza.

A pergunta de um milhão de dólares, então: por que raios ele é titular da Seleção Brasileira?

Eu não sei, você não sabe, ninguém sabe. A única pessoa no Brasil que deve saber é o Felipão.

O futebol praticado no time de Daniel, o Barcelona, é sensivelmente diferente do praticado no Brasil. E o fato dele ser um bom lateral lá não significa que vá ser um bom lateral aqui. Na verdade, é o contrário: ele ser bom lateral no time espanhol significa que ele não vai prestar pra jogar nessa posição no Brasil.

Como diria nosso amigo Jack, vamos por partes.

Primeiro: marcar. O lateral é, antes de tudo, um zagueiro que joga pelo lado do campo. Ele fecha os espaços nas pontas do campo, evita que os adversários entrem em velocidade e fazem a marcação de quem eventualmente esteja aberto. E importante: o lateral é o último jogador antes do limite do campo – o que significa que o seu posicionamento basicamente define o espaço que um adversário vai ter.

(repararam como o Ronaldinho Gaúcho sempre gostou de jogar por ali, do lado esquerdo? Na lateral do campo, só existe um marcador entre o atacante e o gol – na outra direção existe a linha lateral e, consequentemente, o FINAL do campo. Segue)

O Barcelona do Guardiola, auge do Daniel Alves, subvertia essa lógica porque a marcação por pressão começava no campo de ataque. Na verdade não chegava a ser marcação: era um tremendo “abafa”, ou seja, os blaugranas vinham em bloco em cima do adversário com a bola, retomavam rapidamente – na maioria das vezes no campo de ataque – e vida que segue. A bola chegava na linha de fundo defensiva do Barça RARÍSSIMAS vezes. Logo, o “lateral” estava posicionado na última linha dificilmente.

Pra finalizar esse ponto: Daniel Alves não corre atrás da bola quando perde ela, que nem fazia no Barcelona. O primeiro gol da Copa, nas suas costas, é o retrato disso.

Ou seja, ele não marca. Ou pelo menos marca de maneira muito diferente no Barcelona (que hoje nem tem mais aquela pressão que tinha na época do Guardiola) do que no Brasil. Então, não serve.

Chegar à linha de fundo é a segunda função do lateral (moderno, obviamente). Vejam, conseguir passar pela última linha adversária para chegar no final do campo e cruzar para trás, ajudando enormemente o trabalho do companheiro que chega de frente (importante, bate na bola de frente, aumentando a força e dificultando a vida do goleiro que tem que agarrar um chute mais rápido).

Daniel Alves chega raramente à linha de fundo. E quando chega, deixa uma avenida atrás dele. E não volta pra recompor. E o Brasil toma pressão. E o adversário faz o gol. Alguém já viu esse filme? Pois é, eu também.

Ele tem um clássico costume de meia pelo lado direito: entrar em diagonal, pelo bico da grande área, buscando o chute ou o passe curto (Barcelona, alguém?). Linha de fundo é quase um local proibido pra ele – apesar de ser essencial pro jogo moderno. Sem esquecer, claro, que ele é destro e joga pela direita – ou seja, o chute/passe dele quando corta pra dentro cai na perna esquerda.

Logo, não serve pra chegar na linha de fundo. Segue.

Ele não cruza. E tem um motivo bastante prático pra isso: ele joga em um time de anões. Não que isso seja necessariamente um problema – o Barcelona ganhou muitos títulos nos últimos 5 anos, obrigado –, mas o lateral da Seleção precisa cruzar. Ou pelo menos saber. E ele não sabe. Ou não quer, sei lá.

O fato é que são duas propostas de jogo diferentes: o time catalão gosta de ter a bola no pé, passar curto e buscar a infiltração em velocidade. Já o time brasileiro é mais vertical, buscando passes longos, lançamentos, corridas do Neymar em velocidade e bolas enfiadas – por cima ou por baixo – pro Fred. O Barcelona não joga com um centro avante, enquanto o Brasil joga um muito bom em jogo aéreo. E tem um time mais alto. Logo, enquanto o lateral direito não cruzar, literalmente perdemos uma arma em campo.

Tudo isso para dizer: Daniel Alves é muito mais um meia pelo lado direito, talvez um ala-que-não-cruza, do que um lateral. Isso justifica o grito pela titularidade do Maicon: ele não é mais técnico, talvez até não esteja em melhor fase do que o Daniel, mas é lateral. Ponto. Sabe jogar naquela faixa do campo, tem fisico para tal ainda hoje. O jogador catalão não sabe.

Mistério. Por que Daniel Alves é titular absoluto da Seleção Brasileira, numa função que ele não joga há pelo menos 6 anos?

Brasil e Chile: Eu estive lá

Eis o motivo pelo qual eu não venho escrevendo no blog: foi agraciado com a oportunidade de ver a Copa do Mundo ao vivo, do Mineirão.

Não existe nada igual.

Eu confesso que não sou dos maiores entusiastas da Seleção Brasileira. Vi apenas um jogo in loco, contra o Equador em 2007 (aquele 5x0 em que Robinho fez uma jogada surreal), tenho uma dificuldade danada pra ver os amistosos na televisão por causa do horário (faculdade e outras atividades na hora) e não consigo vibrar tanto.

Mas nada disso se aplica a um jogo de Copa do Mundo, em casa, com estádio lotado. Os pênaltis, então, foram um verdadeiro teste para cardíaco.

Poucas vezes eu senti uma emoção assim. E olha que eu frequento estádio – aqui em São Paulo, evidentemente, mais como visitante, mas já fui muito ao Maracanã quando morava no Rio. Copa do Mundo é diferente, é surreal.

Eu gritava como se o Flamengo estivesse jogando. Levantava mais do que manda a etiqueta em um jogo de Seleção (não consigo assistir jogo sentado em estádio, desculpe quem ficou atrás de mim). Virava para trás e gritava “CANTA OU BATE PALMA”, seguido de um sonoro palavrão. Gritei com os jogadores e com o Felipão.

Quando o Brasil fez o gol, pulei que nem uma criança. Quando o Chile marcou eu me lembrei do protocolo da “desgraça” em jogos do Flamengo: gol do adversário é a hora de cantar mais alto do que nunca.

Nos pênaltis a arquibancada inteira se abraçou. O rapaz do meu lado, que nunca devia ter ido num estádio, estranhou no começo aquele monte de gente que não se conhece passando uma tensão ferrada juntos. A garota atrás de mim apoiou a bandeira no meu ombro e apertava a cada gol de pênalti do Chile.

Eu não vi que as cobranças tinha acabado. Só vi o estádio explodindo, os jogadores brasileiros correndo, a cerveja voando pelos ares, fui levantado pelo meu primo. Gritei, pulei, saí do estádio cantando.

É Copa, tá tendo Copa, Copa demais! A torcida cantou, vibrou, sofreu, se esforçou pra tentar alguma coisa diferente. Parece que está se acostumando a torcer pelo Brasil.

(também, o time não joga nunca aqui – pegar a Argentina em PEQUIM foi o cúmulo)

Valeu demais. A Copa do Mundo talvez seja a única hora que dá para vibrar como se fosse o nosso time. É a verdadeira festa do futebol, a maior delas.

Hoje, segunda feira, ainda estou sem voz de tanto gritar.

Queria deixar registrado um agradecimento especial para os mineiros. Depois do jogo conheci muita gente legal, povo simpático mesmo, que fez aquele grupo de cariocas se sentir em casa. Conheci várias coisas boas que Belo Horizonte tem para oferecer.

Gostei demais, pretendo voltar em breve.

Ótimo fim de semana, ótimas companhias, ótima vitória. O jogo foi horroroso e o Brasil passou um aperto desgraçado, mas isso é motivo pra outro post.

Valeu BH, valeu Minas, valeu Brasil!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Grupo H: A bela e a fera

Mais um europeu ficou no caminho nessa Copa do Mundo. A Rússia, único país da competição em que todos os jogadores jogam no seu campeonato nacional, não conseguiu a vitória na última partida contra a Argélia e volta para casa mais cedo.

Argélia, aliás, que começou a se apresentar bem depois do jogo contra a Bélgica – parecia presa em campo. Fez um bom jogo contra a Rússia e uma partida que chegou a ser envolvente contra os sul coreanos.

A Bélgica ainda não conseguiu fazer uma grande apresentação – exceção feita aos 10 últimos minutos de jogo contra a Rússia, quando o astro Hazard acordou. Precisa melhorar se quiser alçar vôos maiores.

E por último não dá para deixar de falar da tremenda decepção que são os asiáticos nessa Copa do Mundo. A Coréia do Sul conseguiu arrancar um ponto solitário contra a Rússia (numa falha horrorosa de Akinfeev, diga-se) e depois mais nada. Time limitado demais para uma fase final de Copa do Mundo.

A Bélgica, bela e que todos esperavam alguma coisa, passou em primeiro. A Argélia, fera e surpresa, consegue uma sofrida classificação no último jogo.

Divertido até o final.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Grupo G: Deu a lógica

Eu errei o resultado do jogo, é verdade. A Alemanha não se apresentou bem, mas conseguiu vencer sem dificuldades o esforçado time americano. Este só levou perigo nos acréscimos do segundo tempo (!). De resto, o 1x0 retrata fielmente o que foi a partida. Müller chegou a 9 j
gols em 9 jogos de Copa do Mundo e já começa a despontar como favorito, daqui a uns anos, a roubar a coroa de Klose e Ronaldo como maior goleador em copas.

Do outro lado do grupo, Portugal conseguiu sua primeira vitória na Copa, mas morreu abraçado com Gana. Apesar de Cristiano Ronaldo ter deixado o seu, aquele senhor saldo negativo que a Alemanha deixou no confronto entre os dois times pesou. Será que Pepe pensou nisso? Duvido.

Ainda sobre o Cristiano: ele e Copa do Mundo não se bicam. Melhor jogador do mundo, marcou 3 (TRÊS) vezes na três copas que disputou. Nunca foi protagonista em nenhuma. Vamos fazer justiça: em um dos melhores times que Portugal já teve (2006), ele era muito novo – 21 anos. Depois, a situação se deteriorou vertiginosamente e eles não conseguiram mais jogadores minimamente bons para jogar ao lado do craque. Uma pena.

A Alemanha confirma seu status de uma das grandes potências dessa Copa do Mundo, com a geração que apareceu em 2010 amadurecida. Os Estados Unidos ainda precisam se soltar mais no ataque – têm algum talento pra isso.


Suárez mordeu Chiellini. Uruguai, pra que isso?

EDITADO: Como postado na matéria do Globoesporte.com, Suárez pegou 9 jogos de suspensão, além de não poder praticar nenhuma atividade ligada ao futebol por 4 meses. Portanto, Luisito está fora da Copa do Mundo.

Suárez mordeu Chiellini na partida contra a Itália na Copa do Mundo. Qualquer um que tenha visto as imagens por vários ângulos consegue ter essa mesma conclusão, mesmo que a mordida de facto seja difícil de distinguir de um encontrão com a cabeça. Então, apelamos para o passado: seria a terceira vez que Luisito morde alguém – já tinha agido assim pelo Livepool e pelo Ajax.

Isso posto, é um insulto à inteligência a repercussão que Diego Lugano e o jornalista uruguaio fizeram do caso.

Lugano, vá lá, é o capitão do time. Representante e porta voz, sua missão é mesmo apagar eventuais incêndios e dar moral para o seu grupo – mesmo que assim o faça contando mentiras deslavadas.

Já o jornalista que levantou a voz, furioso, e tentou culpar Deus e o mundo por uma suposta perseguição à Celest, desculpa, comete um atentado contra a profissão.

Para não me alongar no assunto: jornalistas têm responsabilidades sobre o que falam, do começo ao fim. Eles recebem para contar as histórias de maneira mais fiel possível. Isso tudo fora a questão da credibilidade.

Um jornalista que levanta uma bandeira de suposto “favorecimento” ou “perseguição” a determinada seleção precisa provar o qu eestá dizendo.

Quanto ao caso específico de “mordida x entrada desleal”, é uma besteira sem tamanho a comparação. O árbitro, se considerar que alguma entrada use força desproporcional ou tenha deslealdade, expulsa o jogador – o campo resolve. Se for um caso mais grave, envolvendo uma suposta maldade, há julgamento, recurso, etc. Todos os trâmites estão aí.

A mordida não foi punida em campo. Suárez fez (de novo) a agressão e saiu impune. O julgamento, nesse caso, se torna a coisa mais normal do mundo.

Fora que é um artifício baixo. Chilavert cuspiu em Roberto Carlos e foi suspenso por 4 jogos – imagino que um cuspe na cara não cause tanta dor quanto uma mordida nas costas. A mordida entra na mesma categoria. Em nenhuma arte marcial a mordida é aceita. Imagine num campo de futebol.

Encerro: fugir de um argumento, como fez Lugano, dizendo “outros fazem isso, isso e aquele outro, são piores e não são punidos”, é um insulto à inteligência alheia e um artifício infantil. Parece criança quando vai para o coordenador no colégio porque fez besteira e diz “mas fulaninho fez muito pior e não aconteceu nada!”. Ridículo.

Pra que isso, Uruguai? Pra que se prestar a esse papel ridículo?

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Grupo E: Refúgio europeu

Esse grupo tinha uma particularidade engraçada: poderia ser o primeiro da história da Copa do Mundo a ter um eliminado com 6 pontos. Na Copa de 1994 tivemos, sim, terceiros colocados com essa pontuação, mas os melhores terceiros se classificavam para as oitavas.

Falando de futebol: a França se apresentou mal hoje. Estava visivelmente relaxada pela classificação antecipada e jogava pelo prazer de estar no Maracanã, apenas. O Equador, que ainda tinha chances de brigar pela vaga, não conseguiu oferecer real perigo pro adversário mais qualificado que teve. A expulsão de Antônio Valência na segunda etapa praticamente sepultou as chances dos equatorianos. O 0x0 foi sem graça.

No outro jogo, Shaqiri arrebentou e marcou os 3 gols da vitória da Suíça em cima de Honduras. A vitória garantiu os suíços na segunda fase.

Nota para o esforço e as boas apresentações do Equador nos dois primeiros jogos, quando endureceu contra a Suíça até tomar o gol no final e venceu Honduras. Nota também para esse time da América Central: veio para praticar o anti-futebol. Não no sentido grego da palavra (retranca), mas no sentido de pancada. Bateram do início ao fim da competição e acabam com 0 pontos. Merecido, aliás. Veio fazer turismo e MMA no Brasil.

No final das contas, finalmente um grupo em que os europeus levaram a melhor sobre os times do continente. França e Suíça salvam (por ora) a honra do velho continente.

Grupo F: Incógnita hermana e o primeiro africano

Mais um grupo se fechou nessa Copa do Mundo de 2014. O grupo F têm como classificadas as seleções da Argentina e da Nigéria. Bósnia e Irã ficaram pelo caminho.

A Argentina sofreu, mas conseguiu derrotar a Nigéria por 3x2. Jogou até melhor do que nas duas partidas anteriores – nessa, teve que correr atrás constantemente para ficar a frente no placar. Messi fez a sua melhor exibição na Copa, marcou 2 gols e chegou a 4 na competição – empatou com Neymar na artilharia. O time ainda precisa melhorar se quiser continuar bem na competição.

A Nigéria também fez o seu melhor jogo, liderada por Musa – também marcou dois gols. Alternou bons momentos de pressão com pane defensiva. É um time a se observar, principalmente pela inconstância.

Já a Bósnia é a decepção do grupo. Eu mesmo achei que fosse se classificar como segunda colocada, mas a derrota pra própria Nigéria pesou. Não se apresentou bem em nenhuma partida e sai da Copa abraçada com o Irã – que fez uma excelente partida contra a Argentina e um jogo tenebroso contra os africanos. É uma pena, gostaria de ver o Irã na próxima fase.

Num grupo com placares muito magros e poucos jogos bons, se classificam os dois que conseguiram se destacar um pouco. A Argentina, lógico, com Messi. E a Nigéria com a boa vitória em cima da Bósnia.

O caso Paulinho

Um dos jogadores que mais decepciona os torcedores nessa Copa do Mundo é Paulinho. Na eminência de perder sua vaga de titular para Fernandinho, o volante está numa das piores fases da carreira. Amarga uma fase inconstante, de idas e vindas ao banco de reservas no Tottenham, seu clube na Inglaterra. Além disso, ainda não conseguiu mostrar na Seleção Brasileira o bom futebol que o consagrou no Corinthians.

Afinal, o que acontece com Paulinho?

É possível arriscar várias respostas, provavelmente nenhuma correta. Mas tentamos – estamos aqui para isso.

Primeiro, o conceito abstrato de “fase ruim”. É inegável que o atleta não está no melhor momento de sua carreira. Apesar de um início promissor no clube inglês, ainda não conseguiu nem de longe se firmar como peça importante. Importante notar, porém, que a fase do time como um todo não é boa – a venda de Bale rendeu muito dinheiro, mas o Tottenham ainda não conseguiu se recuperar tecnicamente da perda do galês.

Depois, o posicionamento em campo. No Corinthians, Paulinho era um segundo volante responsável pela armação e, principalmente, chegada no ataque. Conseguia fazer o time ter vantagem numérica na frente e, com isso, abria a defesa adversária. Essa sua função ajudou o time a marcar gols durante o ano – ele mesmo foi o autor de alguns. Além disso, sua estatura (1,82 m) ajudava nos cabeceamentos. O tal do elemento surpresa não funciona na Seleção, simplesmente porque ele não existe. Sabemos o quanto Luiz Felipe Scolari é conservador na montagem de seus times e observamos nitidamente como o jogador parece mais “tímido” no escrete nacional – ele evita subir ou chutar em oportunidades claras.

E a terceira questão é a cabeça. Chegam notícias da Granja Comary que o atleta está com um problema de confiança em seu futebol. Na realidade, futebol propriamente dito todos sabemos que ele tem – muito, aliás. O problema é que vira uma bola de neve: uma atuação ruim, a confiança desaba, ele não sobe tanto pro ataque, não dá passes decisivos, não tem outra atuação ruim, a confiança cai ainda mais... E é assim ad eternum. De todos os pontos que comentei nesse texto, esse específico talvez seja o mais difícil de lidar.

A tendência, infelizmente para Paulinho e felizmente para a Seleção, é que Fernandinho assuma a vaga de titular. No jogo medonho que o time fez contra Camarões, ele foi decisivo para a mudança de postura no segundo tempo – distribuiu o jogo, deu passes, buscou alternativas e carregou a bola. O dinamismo, esperado do atleta do Tottenham, veio do jogador do rival Manchester City

Apesar dos pesares, Paulinho ainda tem muito o que mostrar. É um senhor jogador, com qualidades modernas que o futebol exige. Mas, numa competição curta com apenas 7 jogos, com a pressão que a Copa do Mundo em casa exerce em cada atleta do time nacional, a mudança se faz necessária.

Torço por ele. Mas hoje Fernandinho é meu titular.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Mondragón: O recorde e o mito

A Copa do Mundo de 2014 no Brasil acaba de entrar para a história mais uma vez: Faryd Camilo Mondragón Alí se tornou o jogador mais velho da história a disputar uma partida de Copa do Mundo, aos 43 anos e 3 dias, e supera o camaronês Roger Milla – que em 94 tinha 42 anos e 39 dias.

Mais do que isso: Mondragón se torna o primeiro jogador a entrar em campo em duas copas do mundo separadas por 20 anos – em 1994 e agora em 2014. Tivesse a Colômbia se classificado para todas as competições nesse período, ele teria disputado 6 e superaria o recorde de Carbajal, Buffon e Matthaus – disputaram 5.

Começou a carreira no Deportivo Cali, da Colômbia, aos 19 anos 1990. Rodou por alguns clubes da América do Sul e, em 1999, foi para a Europa. Jogou lá no Zaragoza (depois voltou rapidamente para o Independiente da Argentina), Metz, Galatasaray e Köln.

Em 2012 voltou para o seu clube de formação, e lá está até hoje. É uma lenda viva do Deportivo Cali e da Seleção Colombiana – foi convocado pela primeira vez em 1993 e lá está até hoje.

Parabéns, Mondragón!

Grupo C: Último suspiro

Na noite de terça feira fomos premiados com duas grandes histórias nessa Copa do Mundo. A primeira foi a épica classificação grega perante o time da Costa do Marfim. A segunda foi o recorde de Mondragón de jogador mais velho a atuar numa partida de Copa do Mundo (esse merece um post só para ele, na sequência).

Dois jogos. Um passeio e uma batalha.

O passeio quem aplicou foi a Colômbia em cima do Japão. A goleada por 4x1 não mostra bem o que foi o jogo: em alguns momentos o Japão chegou a ameaçar a liderança colombiana. Mas James Rodríguez teve uma atuação esplendorosa, coroada com um gol no final. É o craque (no caso, futuro craque) decidindo mais uma vez nessa Copa do Mundo. Há tempos não se via um time colombiano tão forte.

O Japão, coitado, parece que regrediu no futebol. Não consigo enxergar o Zaccheroni como alguém para tentar alçar vôos maiores com essa seleção. O jeito, então, é esperar a próxima Copa do Mundo.

A outra partida teve requintes de crueldade. A Grécia abriu o placar, Costa do Marfim empatou e, com isso, estava se classificando. Aos 45 minutos do segundo tempo, Giovanni Sio (que entrara no lugar de Gervinho mais cedo) fez pênalti em Samaras. O próprio cobrou e conferiu. Os gregos conseguiram a sua única vitória na Copa no último segundo de jogo, então.

Um desserviço ao futcebol esse time da Grécia se classificar. Uma das últimas “grandes retrancas” do futebol moderno – até a Suíça e a Itália já abandonaram essa técnica, vejam vocês. Temos a garantia, então, de pelo menos um jogo muito monótono nessa segunda fase.

Mas valeu a emoção. Afinal, é futebol.

O que se passa com a Inglaterra?

Toda Copa do Mundo é a mesma história: os ingleses montam um bom time, com um ou dois jogadores muito acima da média, e entram como favoritos. Depois acabam enfrentando um adversário que é favorito de facto e saem da competição antes do esperado. Esse ano tivemos requintes de crueldade: eliminados na primeira fase, sem uma vitória sequer.

Afinal, o que acontece com a Inglaterra? Por que a seleção não consegue fazer uma campanha realmente convincente desde 1966? Sendo bondoso, desde 2002, quando foi eliminado nas quartas de final para o Brasil – que seria campeão?

O diagnóstico é difícil. A formação geopolítica do Reino Unido talvez ajude a explicar. Se eles competissem como uma só nação (como acontece nas disputas olímpicas), talvez ajudasse. Não dá para cravar que seja isso.

O “país” (é preciso usar esse termo com muita cautela) tem a liga de futebol mais forte e mais rica do planeta. Os direitos de transmissão são monstruosos, o dinheiro de patrocínio é uma enormidade, os estádios estão sempre lotados, os clubes têm um número absurdo de sócios – mesmo em divisões mais baixas.

Isso tudo sem contar que o país tem uma cultura de “futebol” muito mais forte do que o Brasil – que se limita a torcer e ver grandes jogos. Além de tudo, ainda são os criadores do esporte! E não engrenam!

Talvez o jeito que encarem o jogo, sempre muito mais coletivo do que individual, contribua. Dá para contar nos dedos o número de “grandes jogadores ingleses” no último século. Diferente dos grandes times, que tivemos vários (campeões da Champions League, inclusive). A maior revelação inglesa dos últimos tempos, Rooney, acabou se tornando um belo jogador, bem acima da média – mas não virou tudo o que prometia.

E ainda os grandes times, nos anos recentes, tiveram suas bases formadas por jogadores de outros países. Apenas um ou outro inglês se destacando.

Apesar disso tudo que comentei acima, os ventos de mudança estão soprando. É bem verdade que não passa de uma brisa por enquanto, mas já podemos ver situações interessantes. O Liverpool, vice campeão inglês da última temporada, não é apadrinhado por nenhum ricaço do oriente médio ou da extinta união soviética e tinha uma base formada por jogadores ingleses – não a toa era a base da Inglaterra.

Mas United? Chelsea? City? Tottenham? Arsenal? Quase um deserto de ideias na base. Um bom conjunto, talvez. Bons jogadores fazem bons times. Mas jogadores excepcionais fazem times vencedores. E eles precisam nascer na Inglaterra.

Se não houver uma mudança radical no modus operandi do futebol inglês nos próximos quatro anos, já é seguro dizer que os ingleses não serão favoritos. Quem faz (ou deixa de fazer) o que a Inglaterra fez desde 1966 não pode mais ser favorito a nada.

Grupo D: Soy loco por ti America

O primeiro grupo da história das Copas do Mundo com três campeões mundiais, um legítimo grupo da morte, está finalizado. Para desespero dos europeus.

Itália e Inglaterra ficam pelo caminho. O English Team, que prometeu (como de costume) chegar forte na Copa, decepcionou e saiu com um ponto solitário – empate em 0 x 0, depressivo, com a Costa Rica.

Os italianos sofreram o golpe mais duro. Em Natal, com o estádio lotado e torcida majoritariamente celeste, uma derrota para o Uruguai. Depois do primeiro jogo contra a Inglaterra, quando apresentou um futebol convincente, não conseguiu mais se encontrar. Pirlo jogou melhor hoje, mas não deu o ritmo que a Itália está acostumada.

Melhor para os sul americanos. Com muita raça – e um jogador a mais depois dos 15 do primeiro tempo – conseguiram o gol que precisavam. E num lance de escanteio, com metade do ataque uruguaio subindo junto. Ilustrativo desse time, pra dizer o mínimo.

A América manda seus dois representantes para as oitavas. A Europa recebe de volta mais dois campeões do mundo.

Definitivamente os europeus não se dão bem fora da Europa. É de se pensar.

Parabéns para as seleções do Uruguai e da Costa Rica.

Mas que o tal fantasma não dure muito mais do que isso. Para o nosso bem.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Grupo A: Decepção europeia

E o México conseguiu sua classificação em segundo no grupo do Brasil. Venceu a Croácia por 3x1 em Pernambuco e conseguiu uma vaga improvável.

Por uns minutos até parecia que eles iriam buscar o primeiro lugar – precisavam tirar a diferença no saldo de gols. Mas não aconteceu.

A Croácia, que eu mesmo apontei como favorita à segunda vaga, decepciona. A derrota para os donos da casa no primeiro jogo era natural. A goleada em cima do fraco time de Camarões também. Mas a vitória em cima do México passou a ser obrigação. E ela não aconteceu.

Tudo bem, aquele empate em zero a zero com uma atuação surreal do Ochoa deixou o México em situação extremamente confortável. A vantagem do empate, de certa forma, pesou.

Já o último do grupo dispensa comentários. Um time limitado tecnicamente que não pôde contar com o seu melhor jogador estava fadado ao fracass. Mas mesmo assim surpreende pela extrema fragilidade. A Croácia desfilou na defesa africana. O Brasil sofreu, mas também conseguiu uma boa goleada. Só o México teve que fazer 3 gols para valer um. Azar.



Decepção europeia, festa latino-americana. Esse tem sido o ritmo da Copa do Mundo.

Camarões 1 x 4 Brasil: Exército de um homem só

Se o Brasil queria provar que tinha melhorado e que estava preparado para encarar a fase aguda da Copa do Mundo e, especialmente, um adversário complicado e organizado como o Chile, foi mal.

Se queria simplesmente passar de fase contra um adversário já eliminado e sem o seu principal jogador, conseguiu o que queria.

Mas não está tudo bem. Longe disso.

O retrato do jogo foi muito parecido nos dois tempos: o Brasil marcava pressão e roubava a bola com velocidade no campo de ataque pra buscar o gol adversário, enquanto Camarões estava acuado. Uma, duas, três vezes, e a bola não entrava. Depois relaxava.

No primeiro tempo, Camarões aproveitou esse relaxamento e foi para cima. Quase conseguiu abrir o placar.

E eis que surge o exército de um homem só.

Neymar fez hoje sua melhor exibição na Copa do Mundo. Driblou, buscou jogo, partiu pro ataque, obrigava o goleiro a grandes defesas. Acertou praticamente tudo o que tentou.

Inclusive o gol. Duas vezes. Artilheiro isolado da Copa, com 4 gols em 3 jogos.

Mas o time foi mal, de novo. Daniel Alves já merece há algum tempo ser ponta de banco. Paulinho continua sumido – apesar de ter acertado boas arrancadas e passes hoje. Fred errava tudo até conseguir marcar o seu gol e ganhar uma injeção de confiança. Oscar foi discreto, mas também não comprometeu.

Vale o registro positivo de Fernandinho. Entrou no segundo tempo e mudou a dinâmica da partida: corria, se apresentava, buscava a bola para armar o jogo, como um digno volante moderno. Fernandinho pode ser o Kléberson desse ano – e, por isso, acho que Paulinho não volta mais.

Camarões, coitado, é um prato bom se servido com limão e na beira da praia. Nessa copa não prestou pra jogar futebol.

O Chile nos aguarda. E nós ainda aguardamos um melhor futebol da Seleção Brasileira.





Grupo B: Jogo grande e jogo pequeno

O jogo que valia alguma no grupo B acabou com a vitória de uma das melhores seleções da Copa. A Holanda, mesmo vencendo no segundo tempo e fazendo uma primeira etapa consistente, chega muito forte nas oitavas e se consolida como primeira colocada no grupo.

Já o Chile sentiu o golpe do gol. Começou melhor a partida, marcando pressão no campo de ataque e fechando os espaços. Depois, talvez pelo cansaço ou mesmo por postura de jogo, relaxou e deixou a Laranja Mecânica ganhar território.

Na segunda etapa, a Holanda começou melhor e se aproveitou do maior problema do time chileno: estatura. O gol depois de cobrança de escanteio era quase uma carta marcada. Já o tento no final foi apenas para estourar a festa.

O Chile deve ser o adversário do Brasil nas oitavas. Sorte a nossa.

E no jogo que não valia nada, deu Espanha. A Fúria (por questão de hierarquia, o apelido de “Roja” passa à seleção chilena) volta para casa de forma melancólica. Bem diferente da Austrália, por exemplo: o time da oceania apresentou um bom futebol contra o Chile (podendo empatar o jogo em vários momentos) e contra a Holanda (em que esteve à frente no marcador). As eliminatórias asiáticas fazem bem aos australianos.

domingo, 22 de junho de 2014

O que esperar da última rodada?

Hora da última rodada. Com alguns times já eliminados e outros tantos já nas oitavas, vamos dar um passeio por cada um dos oito grupos, tentando entender o que cada um precisa para avançar.

Grupo A

O Brasil já enfrentou os dois adversários mais difíceis. Pega um time de Camarões já eliminado e em frangalhos. Se classifica com um empate. Já México e Croácia disputam a segunda vaga em um confronto direto que promete ser emocionante. Do que vi, acredito mais na Croácia.

Grupo B

Confronto pelo primeiro lugar do grupo entre Holanda e Chile e confronte pela primeira fila do avião entre Espanha e Austrália. Acredito nos europeus em primeiro, mas só por causa da vantagem do empate.

Grupo C

A Colômbia nadou de braçadas e já está classificada. Se a tendência do grupo se mantiver, a Costa do Marfim deve vencer a Grécia sem problemas e se classificar.

Grupo D

A alegria de ver um time desacreditado pelos críticos avançar se mistura à tristeza de ter que dar adeus à dois campeões do mundo no mesmo grupo. Parabéns à Costa Rica. No confronto direto pela segunda vaga, a Itália deve sevar – se voltar a jogar no nível do confronto contra a Inglaterra.

Grupo E
Esse grupo vai ser de uma crueldade extrema. A França deve fazer mais uma partida sólida contra o bom time do Equador e, vencendo, abre o caminho para a Suíça se classificar em segunda no grupo – já que a capenga e violenta seleção de Honduras não deve ser páreo para os suíços. Mesmo com o apoio da torcida equatoriana no Maracanã, acredito mesmo na classificação dos dois europeus.

Grupo F

A Argentina está mal, a Nigéria é oscilante, o Irã não conseguiu aproveitar as oportunidades e a Bósnia decepcionou. Mas olho no Irã: se conseguir uma vitória simples contra a já eliminada Bósnia e a Argentina vencer a Nigéria por mais de um gol de diferença, podem se classificar. Quer saber? Aposto neles. VAI IRÃ!

Grupo G

O outro grupo “peso pesado” da copa acabou da forma mais melancólica possível. Alemanha e Estados Unidos se classificam com um empate. Então é isso o que vai acontecer. Pior para Portugal e Gana.

Grupo H

Mais um grupo com um classificado em três brigando pela última vaga. A Coréia do Sul fez uma partida péssima defensivamente contra a Argélia e, repetindo esse expediente, pode tomar um vareio da oscilante Bélgica. Assim, abre caminho para um confronto direto entre Rússia e Argélia pela segunda vaga. Vou de Rússia, pelo melhor elenco.


O que eu vi da segunda rodada da Copa do Mundo

Já se passaram mais jogos do que todos nós gostaríamos. A Copa do Mundo de 2014 no Brasil, finalmente, começa a chegar em sua fase aguda. Entre heróis e vilões, vamos dar uma volta no que de melhor aconteceu nessa segunda rodada de futebol na Copa do Mundo.

Espanha eliminada na segunda rodada: A atual campeã do mundo e bicampeã europeia caiu. E não foi igual ao Brasil de 1966, a França de 2002 ou a Itália de 2010: caiu no segundo jogo. Diante de um Maracanã absolutamente lotado e chileno, a derrota por 2 x 0 fechou o caixão do escrete espanhol. Podemos falar de vários motivos: elenco envelhecido, falta de vontade, falhas sistemáticas do goleiro, sistema de jogo conhecido pelos adversários. Só não pode deixar de falar em humilhação. E a Espanha, eliminada só tendo marcado um gol em pênalti suspeito em toda a copa, foi humilhada no Brasil. Como ano passado, aliás.

Chile, ou “a verdadeira La Roja”: Depois do susto contra a Austrália, um jogo que vai ficar para a história contra a Espanha. Dominou as ações, conseguiu logo a dianteira no placar e chegou a dar “olé” no Maracanã. Já falam que agora eles são a verdadeira “La Roja”

(um parênteses: será que a Holanda vai jogar ALGUMA VEZ de laranja nessa Copa?)

Brilhante Colômbia: É um tremendo baque quando o principal jogador do time é cortado em cima da hora da Copa do Mundo – ainda mais quando é um dos melhores centro avantes do mundo. Mas Falcao Garcia parece que não faz tanta falta ao escrete colombiano. Jogando um futebol alegre, envolvente e contando com massivo apoio da torcida, conseguiu sua segunda vitória e a classificação no grupo C.

Costa Rica atropelando: Quem acompanhou as eliminatórias da CONCACAF diz com bastante segurança que “não há surpresa” na campanha da Costa Rica na Copa do Mundo desse ano. A verdade é que venceu com autoridade o Uruguai e com segurança a Itália. Foi a primeira a se classificar no primeiro grupo com três campeões mundiais na história. Grupo da morte? A Costa Rica é a única viva.

Inglaterra e seus blue caps: Não deu, de novo. Ninguém sabe o que acontece com a Inglaterra. Eles têm o melhor campeonato nacional do mundo, de melhor nível técnico, o maior número de jogadores de futebol per capita do planeta e simplesmente não conseguem engrenar em Copa do Mundo desde 1966. Sequer chegaram à final nos outros anos! O lado positivo é que a renovação segue, e os bons valores devem estar mais maduros para a Copa de 2018.

França arrebentando: Poucas pessoas apostavam no escrete francês depois da péssima Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Menos ainda depois do corte de Ribery, melhor jogador do time. Mas ninguém ligou, e a França hoje é a seleção que joga o melhor futebol da Copa. Um Benzema absolutamente inspirado lidera um time insinuante, que vai para cima e não tem medo de pressionar do começo ao fim. Sobreviveu à “guerra” contra o violento time de Honduras e venceu com tranquilidade a boa Suíça. Chega forte na segunda fase.

Argentina capenga: quando vi a lista completa de times que vinham ao Brasil, cravei que o Irã era o mais fraco deles. Obviamente minha tese foi reforçada depois daquele show de horrores que foi o confronto contra a Nigéria. Mas, surpreendentemente, conseguiu fazer um jogo duríssimo com a Argentina – a ponto do goleiro Romero ser o melhor em campo! A Argentina ainda não conseguiu se achar na Copa. Venceu o primeiro jogo com um gol contra no começo da partida e um lampejo de Messi. O segundo jogo, a batalha contra o Irã, outro lampejo de Messi na bacia das almas, quando poderia ter perdido facilmente. Que os argentinos abram os olhos, porque a situação lá está bem ruim.

Portugal e os gajos: Um time em frangalhos entrou em campo contra os Estados Unidos, saiu na frente, cedeu a virada e empatou no último lance. Cristiano Ronaldo não está nas melhores condições físicas e técnicas. Pepe perde a cabeça e o time perde a mão. Enfim, está dando tudo errado para Portugal nessa Copa do Mundo. A última chance de fazer uma boa partida (e, numo arroubo de surrealidade, conseguir a classificação) é contra a forte equipe de Gana. Não tá fácil lá na Península Ibérica, não...

Vamos à terceira e última rodada da fase de grupos. Já estou com saudades dos três jogos por dia...

Estados Unidos 2 x 2 Portugal: Dançou o vira

Portugal padece do mal de ter o melhor jogador do mundo e não ter quase ninguém para jogar junto dele. As duas exceções, talvez, sejam Nani e João Moutinho. O primeiro fez o primeiro gol. O segundo, nada.

Quanto a Cristiano Ronaldo, pode-se dizer que começou o jogo bem. Buscou o jogo e conseguia acertar os seus dribles. Mas, com o passar dos minutos de jogo, sumiu. Ainda tentava, mas passou a errar demais. O pé, calibrado o ano inteiro no Real Madrid, passou a não obedecer mais. Fruto da lesão que não foi completamente curada, talvez.

Quando seu principal jogador caiu, o time inteiro sentiu e foi para baixo no mesmo ritmo. Os Estados Unidos aproveitaram a deixa e cresceram no jogo. Terminaram o primeiro tempo melhor e começaram o segundo pressionando. Portugal só levava perigo no contra-ataque – e Cristiano Ronaldo desperdiçou um deles de um jeito que não está acostumado.

O empate veio, depois a virada americana. Estava tudo terminado para Portugal. O empate era ruim, mas ainda deixava o time vivo. A derrota acabava com quaisquer chances.

A raça lusa valeu aos 49 minutos do segundo tempo. Um cruzamento explosivo de Ronaldo na cabeça de Varela. Talvez o único lance realmente produtivo do português no jogo inteiro.

Estados Unidos está praticamente classificado com esse resultado e Portugal praticamente eliminado. Só não dá para falar em injustiça nesse jogo.

Coréia do Sul 2 x 4 Argélia: Nem tanto

A defesa que a seleção da Rússia, teoricamente a segunda mais forte do grupo, conseguiu furar apenas uma vez e com muito custo, levou quatro gols hoje.

O que isso quer dizer? Nada.

Nem tanto à Roma, nem tanto à Cartago. Foi um jogo que falou muito e não disse nada. Não quer dizer que o time africano pode chegar forte pra brigar por uma vaga nas oitavas de final, nem que o time asiático é uma porcaria completa.

No primeiro tempo o que vimos foi um passeio da Argélia. Tocando a bola rapidamente, conseguia chegar sem dificuldades ao gol sul coreano. E, pra melhorar, apresentou uma mira melhor do que contra a Bélgica. Enquanto teve o domínio do jogo e sufocou o adversário, apresentou um belo futebol e um projeto de goleada histórica.

Mas, seguindo uma desagradável sina do futebol, se retraiu no segundo tempo. A Coréia do Sul, vendo a oportunidade, foi para cima e conseguiu diminuir. A Argélia aumentou. A Coréia marcou outro. E foi praticamente só.

Difícil é explicar o motivo da Coréia não ter dado sequer um chute no gol no primeiro tempo, contra onze dos Argelinos. Também é difícil de entender uma mudança tão brutal de comportamento das duas equipes no intervalo da partida.

Bom para os africanos, que conquistam uma vitória em copas do mundo que não vinha desde 1986. Ruim para os sul coreanos, que cogitaram voos maiores depois do empate com a Rússia.

Mas, no geral, não significa nada. Uma partida atípica. Muito divertida de se ver, é bem verdade. Mas eu custo a acreditar que o desempenho dos dois times voltará a se repetir dessa maneira na Copa.

Bélgica 1 x 0 Rússia: Ainda devendo futebol

Foi mais uma vitória da Bélgica com as mesmas características: vence, mas não consegue convencer no campo. Mas é crueldade falar que a vitória foi num lance “isolado”.

A partida começou animada, com as duas seleções buscando o ataque. Os belgas dominavam a partida, mas Courtois teve que trabalhar mais no primeiro tempo do que Akinfeev. As melhores chances foram nos contra ataques russos.

No segundo tempo, talvez por causa do calor nada suave do Rio de Janeiro, o jogo esfriou. Poucas chances para ambos os lados, com a Rússia ainda conseguindo chegar com mais perigo.

A partir dos 30 minutos a situação mudou, quase que radicalmente. Hazard resolveu entrar no jogo e começou a desfilar lances individuais de técnica. O jovem Lukaku deu lugar a Origi – e não gostou muito disso. Azar o dele. Esse mesmo Origi foi quem marcou o gol, em (vejam vocês!) jogada individual de Hazard.

Nota também para o bom desempenho, de novo, de Fellaini – especialmente na primeira etapa. Mostrou muita vontade no segundo tempo, mas caiu consideravelmente de produção.

A Bélgica é mais uma classificada para a segunda fase. E mais um time que ainda não mostrou o que prometia antes da competição.

sábado, 21 de junho de 2014

Nigéria 1 x 0 Bósnia-Hezergovina: Desfazendo certezas

Quando eu vi o pior jogo da Copa (o fatídico Nigéria e Irã), tive certeza de que ambos seriam eliminados na primeira fase. Depois de hoje joguei essa certeza no lixo.

A Bósnia, que havia jogado bem contra a Argentina e até aplicado uma pressão considerável no final, piorou muito. A Nigéria, que fez uma partida medonha e sem criação, melhorou.

O jogo foi animado no geral. Apesar dos problemas de mira dos atacantes (especialmente Dzeko, em que eu depositava alguma esperança), foram criadas boas chances de ambos os lados. Surpreendentemente pendendo mais para o lado nigeriano.

Quando tinha a bola nos pés, a Bósnia não conseguia se aproximar da área. Nas raras oportunidades em que furou a marcação, chutava fraco. Ou pra fora. Ou se enrolava com a bola. Mas não mandava em nenhum lugar sequer perto do gol.

A Bósnia-Hezergovina é mais uma decepção nessa Copa do Mundo. Fez boa eliminatória, prometia alguma coisa boa depois de enroscar a partida contra a Argentina. No final, ficam as vaias.

Depois do que vi de Argentina e Irã hoje, eu não duvidaria de uma surpresa africana pra cima dos hermanos. A conferir.

Alemanha 2 x 2 Gana: A bola, a raça e os recordes

Seguindo a toada dos grandes jogos dessa Copa do Mundo, um Alemanha e Gana que ficará marcado por vários motivos.

O primeiro dele – e mais óbvio – é o confronto entre os irmãos Boateng. Kevin-Prince escolheu defender Gana, Jérôme a Alemanha.

O segundo é o recorde de maior número de gols em copas do mundo de Ronaldo sendo igualado por Klose. Reserva, entrou e em um minuto conferiu. Faro de artilheiro nato.

O terceiro é a virada improvável de Gana. Quando Götze abriu o placar, era esperado alguma coisa do tipo que aconteceu contra Portugal: o time adversário se lança ao ataque e a Alemanha goleia. Bobagem. Gana saiu com inteligência e conseguiu conferir com velocidade o empate e a virada.

Quarto é a raça dos dois times. Jogo em Fortaleza, um calor destruidor e os dois times dando o sangue até o fim – literalmente. Muita correri anos minutos finais.

O quinto e último motivo é mais uma ode ao futebol. Partida cheia de alternativas, cheia de gols, grandes jogadas, pixotadas históricas (vai, Neuer!) e outros elementos. Um verdadeiro banquete para o apreciador do nobre esporte bretão.

Fica pra Alemanha a sensação de que ainda há o que melhorar se quiser chegar bem para as oitavas. Para Gana, o gosto amargo de ter a vitória na mão contra um grande time e ver quase tudo ir por água abaixo.

Argentina 1 x 0 Irã: Tudo errado

O cenário do jogo era aquele que todo mundo já sabia: o Irã com uma retranca obscena e a Argentina buscando espaços com o seu quarteto “mágico” (na teoria) e dando pro craque decidir.

Vá lá, no primeiro tempo foi alguma coisa nessa linha que aconteceu. O problema era a (surreal) escassez de ideias no meio de campo. É inacreditávez que Gago, Mascherano e Dí María não sejam capazes de fornecer a bola com qualidade para Agüero, Higuaín e Messi – sendo que esse último ainda buscava muito o jogo.

Mas o que aconteceu no segundo tempo não foi digno de acender uma luz amarela. É caso pra luz vermelha e sirene ligada. Há algo muito errado no time argentino.

Há algo errado porque, em hipótese alguma, o goleiro Romero pode ser o melhor em campo numa partida contra o limitadíssimo Irã. Não existe justificativa pra pressão que a equipe chegou a sofrer na metade do segundo tempo. Pelo menos três defesas difíceis, e uma impossível – nível 10 na escala Ochoa de defesas impossíveis.

Quando a partida estava se encaminhando para um 0x0 surpreendente, o craque decidiu num chute de fora. Um bonito gol de um apagadíssimo Messi. Ele jogou uma partida de assustar.

Está tudo errado na Argentina. Tomar pressão da Bósnia, me dói dizer, vá lá. Ganhar de forma injusta do Irã é inaceitável.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Honduras 1 x 2 Equador: Fator casa

Talvez a característica mais marcante dessa Copa do Mundo seja o efeito “casa” nos times sul americanos. Mais uma vez foi determinante em uma partida.

Para se manter vivo, o Equador precisava de uma vitória contra o time mais fraco do grupo. A superioridade era clara, mas o gol de Honduras aos 30 do primeiro tempo parecia que ia jogar tudo abaixo.

Só parecia. O Equador cresceu no jogo, a torcida começou a apoiar e a cantar e a virada aconteceu. O empate logo na sequência, de fato, mas o gol decisivo só na metade do segundo tempo.

Aliás, menção honrosa para ele: Enner Valência jogou uma enormidade nessa partida. Correndo, brigando, partindo para cima e, principalmente, marcando gols. Há quem diga em Manchester que “contrataram o Valência errado”.

Erazo a parte, a virada veio em grande estilo e mantém viva as chances do time sul americano. O duro só vai ser vencer a França.

Do lado de Honduras, cabe citar que o time estava bem menos violento do que na partida anterior, contra a França. Mesmo jogando mais futebol, as limitações do time ainda são evidentes.

No final das contas, nunca duvide de um time da América do Sul nessa Copa do Mundo. Eles sabem jogar uma boa Libertadores.

Suíça 2 x 5 França: Habemus Salvador

Quando a Copa do Mundo do Brasil parece que vai esfriar um pouco, surge um jogo em Salvador. Aí, amigos, até a Suíça e seu lendário ferrolho cai por terra.

Já começam a pipocar a notícia que a FIFA gostaria de trocar a Copa do Mundo de 2022 do Catar para ser realizada, pela primeira vez na história, em apenas uma cidade (como uma boa olimpíada).

Piadas a parte (e os 17 gols em 3 jogos também), nota para a velocidade e a precisão mortal desse time francês. Quando um certo Benzema está inspirado e até, vejam vocês!, Giroud dá os seus pulos, é sinal de que temos um time bem arrumado. Mais do que isso: um time perigso, quase pronto para pulos mais altos.

Os dois gols quase em sequência ajudaram muito a França e atrapalharam muito a Suíça, é verdade. Depois dessa surra em apenas dois golpes, o adversário estava absolutamente entregue, nas cordas.

Contra o segundo melhor time do grupo, uma goleada pra não deixar dúvidas. Relativemos, talvez, pelo jogo ter sido em Salvador.

Eles vêm forte. Que os adversários abram o olho.

Saravá!

Itália 0 x 1 Costa Rica: A melhor das surpresas

Esse jogo foi a prova definitiva que o que aconteceu contra o Uruguai não foi um acidente celeste. Foi muito mais do que isso.

No sorteio dos grupos, quando se viu que três campeões do mundo iriam ficar juntos – fato inédito –, todos olhavam fascinados a hipótese de uma briga de foice no escuro por duas vagas a serem divididas entre eles.

Só que esqueceram da Costa Rica. E ela fez questão de ser lembrada.

Com um preparo físico e psicológico invejável e uma animada torcida a seu favor, foi contra todos os prognósticos e conseguiu ser a primeira classificada. Não obstante, ainda pode garantir o primeiro lugar com um empate contra a eliminada Inglaterra.

Na partida que garantiu seu lugar nas oitavas, um jogo seguro. O meio de campo não deixou que Pirlo pensasse – não a toa ele foi muito menos participativo hoje do que foi contra a Inglaterra. Na frente, Balotelli até teve algumas chances boas, um ou dois sustos. Faltou confirmar.

Itália e Uruguai farão o maior jogo dessa Copa do Mundo na semana que vem. Por culpa da Costa Rica.

O time de Bryan Ruiz, Keilor Navas e Campbell chega bem nas oitavas. Se continuar assim, pode ir mais longe ainda.





quinta-feira, 19 de junho de 2014

Japão 0 x 0 Grécia: Sono

E finalmente temos um competidor à altula para o desesperador Irã e Nigéria. Exceção feita a um ou outro momento – especialmente no início de cada tempo –, o jogo foi absolutamente tenebroso.

O destaque da partida talvez tenha sido o festival de trocadilhos que começaram a pipocar na internet com o nome dos jogadores.

“Tirem o Honda e coloquem a Hyundai!”

“Esse jogo tá Osako”

“Okubo só lança bola quadrada”

“Com Sókratis na zaga, só falta Aristóteles no meio e Platão no ataque”

“Faltou Leônidas pra liderar esse time grego – o de Esparta”

Isso posto, aos times.

Ambas seleções são muito limitadas. Mesmo com um a mais desde o primeiro tempo, o Japão não conseguiu de maneira nenhuma aproveitar. Quando conseguia chegar com perigo na meta grega, nem sombra de um chute no alvo.

A Grécio fez o que se esperava dela: uma retranca obscena. A Suíça e a Itália, outras representantes do estilo, já mudaram o seu modo de jogo. Apenas os gregos continuam achando que uma possível Euro 2004 pode se repetir.

Segue o baile, porque eu quase dormi nesse jogo.

Uruguai 2 x 1 Inglaterra: O espião baleado

Depois da invenção do futebol pouca coisa aconteceu a nível de jogador e de seleção na Inglaterra. A primeira divisão de lá, a Premiere League, é um senhor campeonato, muito bem disputado e muito rico, com estádios sempre lotados. Mas a nível de jogador e de esquadrão nacional, nunca tiveram grande protagonismo.

Campeões do mundo, sim. Uma vez, jogando em casa. Depois sequer chegaram à final.

Nesse ano, o English Team usou a base inglesa de um dos times mais fortes e empolgantes do campeonato local: o Liverpool. Veio com a condição de estar no segundo escalão dos favoritos, podendo surpreender.

Perdeu a primeira partida contra a sempre favorita Itália em um jogo duríssimo e cheio de alternativas. Nenhuma anormalidade.

O segundo jogo seria contra o Uruguai, terceira força de seu continente na atualidade, vindo de uma surpreendente derrota para a Costa Rica e com seu melhor jogador baleado.

Lembram do que eu falei sobre a base inglesa ser o time do Liverpool? Pois é. Sturridge fez uma dupla de ataque infernal que encantou os torcedores da terra dos Beatles. Com Luiz Suárez, o melhor jogador do Uruguai, hoje baleado.

Baleado?

Correu uma barbaridade. Lutou, se entregou, deu carrinho, buscou a bola.

Pra coroar, fez dois gols em momentos decisivos. O segundo deles em um inacreditável lançamento do campo defensivo, com uma disparada incrível.

Foi difícil acreditar nesse Uruguai depois do jogo contra a Costa Rica. Hoje, não mais.

Colômbia 2 x 1 Costa do Marfim: Pegando no tranco

Fazendo justiça: o jogo estava animado desde o primeiro tempo. Ambas escolas de futebol gostam de um jogo veloz e ofensivo (o que gera até uma certa irresponsabilidade) – e isso se refletiu na partida.

O primeiro tempo foi bom, o segundo foi sensacional. O gol de James Rodríguez parece que ligou a partida no 220. Cinco minutos depois, Quintero já aumentava a vantagem. Parecia que tudo estava decidido e o jogo terminado.

Ah, como as aparências enganam.

Três minutos depois, Gervinho costura e marca um golaço. Começou a farra.

A Colômbia, exaurida, se segurava como podia, tirando energias do apoio de sua torcida em Brasília. A Costa do Marfim, mais inteira física e tecnicamente, ia para cima como conseguia. De novo, a entrada de Drogba em campo pareceu dar novo ânimo à equipe.

Infelizmente esse gás extra não foi o suficiente. A Colômbia é bem melhor do que o Japão e conseguiu suportar bem a pressão no final do jogo. Segurou a vitória com unhas e dentes.

Para conseguir a classificação, a Costa do Marfim vai ter que superar o ferrolho grego. Tem time pra isso. E tem Drogba.

A Colômbia nada de braçadas no grupo. É, definitivamente, a copa dos sul americanos.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Camarões 0 x 4 Croácia: Melancólico fim

Desde Roger Milla aprontando com seu time na Copa de 90 nós esperamos algo a mais de Camarões. A vitória sobre o Brasil nas olimpíadas de 2000 parecia ser o início de uma nova geração, disposta a continuar dando trabalho no cenário internacional.

Coisa nenhuma. Meia dúzia de nomes espalhados por grandes clubes da Europa, uma grande estrela que sempre promete brilhar (Eto’o) e muita desorganização. Os problemas crônicoos com a federação camaronesa parecem que perseguem o bom escrete.

Ah, quase me esqueci da ingenuidade – quase um lugar comum nos comentários sobre escretes africanos. Pra que o nosso glorioso Song tinha que dar um murro nas costas do Mandzukic no meio de campo? Talvez a expulsão mais clara da Copa do Mundo.

A Croácia, que não tinha nada a ver com isso, se aproveitou quando teve um a mais. O jogo, duro até aquele momento, ficou fácil até demais. Foram 4 gols, mas poderiam ter sido 8 se os atacantes levassem um pouco mais a sério e quisessem fazer saldo (ou bater recordes).

Melancólico fim de linha para uma seleção que promete alguma coisa diferente há 20 anos. E entrega sempre mais do mesmo.

As vaias de Diego Costa

Durante muito tempo ele foi o assunto principal das mesas de bar Brasil afora. Certo ou errado? Livre pra fazer as próprias escolhas? Abandonou o Brasil? O que Diego Costa fez, afinal? E, acima de tudo, por que gera tanta raiva dos brasileiros?

Eu sempre tento entender os dois lados de cada história – isso é o mínimo que um jornalista deve fazer. Saber o que ele pensou é importante, mas saber o que pensa quem critica e quem elogia é mais.

Por que tantas vaias?

É sempre bom lembrar que fizeram um carnaval quanto à convocação dele para a seleção espanhola. Felipão, com a gente bem lembra, caiu numa pegadinha em um programa humorístico de rádio na Espanha e falou abertamente que contava com o jogador para a Seleção Brasileira. Pouco depois, ele garantiu que jogaria pela Fúria – e foi convocado por Del Bosque. A reação do presidente da CBF, José Maria Marin, e do próprio Felipão foram sintomáticas: críticas, acusações de anti-nacionalista, de ter virado as costas para o seu país, etc.

Diego se justificava falando que só foi reconhecido na Espanha, e que sentia gratidão àquele país. Natural. Justo, até.

Mas todo o contexto em que a história se apresentou foi bastante único. Enxergando do começo ao fim o que aconteceu, percebe-se que não é tão simples assim.

Voltando muito para trás, lembramos da aberração que foi a seleção da própria Espanha em 1962, simplesmente com Di Stéfano (argentino que os mais antigos dizem ser melhor que o próprio Maradona) e Puskás (húngaro e astro da seleção que encantou o mundo na copa de 1954).

A FIFA, anos mais tarde, começou a adotar uma postura mais dura: os jogadores poderiam vestir a camisa de apenas uma seleção nacional durante toda a carreira.

Veio, então, a questão: Qual seleção? Thiago Motta, nascido em São Bernardo do Campo, vestira a camisa da Seleção Brasileira em seus tempos de base. Depois de negociações, a FIFA admitiu a sua convocação para o time principal da Itália. Não foi convocado para a seleção principal, então valia se utilizar de sua nacionalidade italiana para jogar por outro país.

Não tinha chances e escolheu um lugar onde provavelmente poderia jogar. Natural. Um pouco de exagero – afinal, quantos jogadores não jogam pelas bases dos seus países e depois somem? É o curso natural da vida do atleta. Mesmo assim é compreensível.

O caso Diego Costa foi ainda mais além. Foi convocado e jogou duas partidas pela Seleção Brasileira principal em 2013. Mas foi feita uma manobra na nossa gloriosa federação internacional, onde o regulamento passou a ser “jogar por COMPETIÇÕES OFICIAIS”, e ele foi autorizado a jogar pela seleção espanhola. Tinha jogado amistosos pelo Brasil, afinal.

Agregue à essa situação única o fato de Diego Costa ter vaga no elenco que disputaria a Copa no Brasil – isso dito pelo próprio Felipão – e ter, literalmente, virado as costas.

Para piorar ainda mais, existem alguns exemplos de jogadores em situações semelhantes e que escolheram defender a seleção brasileira. Em 2010 os portugueses não entendiam o motivo de David Luiz, então no Benfica, não ser convocado pela seleção brasileira e já cogitavam a sua naturalização para que ele defendesse Portugal. Mano Menezes o convocou assim que assumiu e ele se firmou como titular.

Mas a questão é: Alguém lembra de David Luiz no Vitória? Ele só passou a ser reconhecido em Portugal. E hoje é um dos pilares da Seleção Brasileira.

A mesma coisa se aplica a Daniel Alves. Ele defendeu o Bahia até 2003, alguém lembra? Depois ficou 5 anos no modesto Sevilla até ir para o poderoso Barcelona, onde ganhou o mundo (coisa que digo com muita dor no coração – não gosto de seu futebol). Ele poderia ter se naturalizado espanhol e jogado por lá, mas desde 2006 é convocado, ganhando a titularidade absoluta a partir de meados de 2010.

E Hulk? Ele jogou 3 anos no Japão, 4 em Portugal e está há 2 na Rússia. Mas, acreditem, jogou no Vitória em 2004 e 2005. Sua primeira convocação foi em 2009. E hoje é titular da Seleção. Também poderia ter se naturalizado e defendido outro país.

Lógico que existem outros casos, como o de Eduardo da Silva pela Croácia nessa copa de 2014, Deco na copa de 2006 e Liédson em 2010 por Portugal e, puxando mais atrás, Wagner atuando pela seleção japonesa na copa de 1998.

Mas todos eles têm uma diferença fundamental para Diego Costa: eles não tinham oportunidade pelo Brasil e resolveram atuar por outros países. Diego Costa foi chamado para defender o Brasil e não atendeu.

E é isso que o povo não perdoa. Ele não virou as costas pra quem virou as costas para ele. Ele virou as costas para quem ofereceu-lhe um abraço.

Se isso é certo ou errado são outros 500. Mas é assim que eu enxergo a situação.

Espanha 0 x 2 Chile: Eles vieram, os outros foram

Um time pode ser campeão do mundo em um acidente, vencendo o melhor, passando aos trancos e barrancos até o título. Isso já aconteceu na história.

Mas não me digam que vencer uma Eurocopa, depois uma Copa do Mundo, depois outra Eurocopa – com os clubes locais dominando o futebol europeu – é um acidente.

A Espanha teve uma geração brilhante. Vários meias de qualidade e excelente saída de bola casaram perfeitamente com o estilo de toque de bola imposto pelo Barcelona de Guardiola e transportado para a seleção local principalmente por Del Bosque.

Talvez o final dessa geração foi justamente o confronto contra o Brasil, na final da Copa das Confederações, com um verdadeiro massacre verde e amarelo. Talvez tenha sido a acachapante derrota do Barcelona na Champions League de 2013. Difícil marcar o ponto do paradoxal “começo do fim”.

Mas é possível dizer que, hoje, chegou ao fim. Se o jogo contra a Holanda foi uma anomalia da natureza – puxando para o sobrenatural –, a partida contra o Chile foi ilustrativa ao extremo. O time que domina o jogo com a bola nos pés não soube reagir quando dominado. Desmoronou no segundo tempo contra os holandeses (poderia ter levado 7 gols) e desmoronou depois do primeiro gol do Chile. Ainda no primeiro tempo!

Os louros da vitória são importantes, então vamos à eles: que partidaça fez o Chile! Jogo seguro, rápido na hora de chegar ao ataque e fatal nas conclusões. Só mostrou displicência quando o jogo já estava 2x0 e a Espanha totalmente entregue. Foi um baile.

Parabéns aos dois classificados do grupo B, Holanda e Chile – o último jogo apenas decidirá o primeiro e o segundo no grupo. Parabéns à Austrália, que fez jogos duríssimos contra os dois.

O Chile veio com tudo para a Copa. A Espanha já foi. E ainda pode tomar uma sapatada da Austrália se não acordar.

Austrália 2 x 3 Holanda: Inversão de papéis

Fazendo uma simplificação grosseira, existem duas maneiras de um time abordar uma partida de futebol: ou vai para cima ou chama o adversário para buscar os contragolpes. Normalmente o time mais forte tem uma abordagem mais agressiva, enquanto o mais fraco espera mais.

Vimos uma inversão no confronto entre os australianos e os holandeses. A Laranja Mecânica (que ainda não jogou de laranja nessa copa, diga-se) esperou os Socceroos. E foi penalizada por isso.

Abriu o placar, mas não conseguiu nem respirar: no lance seguinte, empate. Depois viu uma virada improvável em um pênalti confuso.

Nessa hora, os Deuses do Futebol botaram as coisas em seus devidos lugares: a Holanda partiu para o ataque e a Austrália tentava responder. Nesse momento a qualidade fantástica do seu trio médio-ofensivo resolveu. Não é qualquer time no mundo ´que tem o privilégio de ter em seu elenco Van Persie, Robben e Sneijder.

A virada definitiva e a vitória consolidada. Menção honrosa para o time australiano, que perdeu os dois jogos jogando um bom futebol. É notória a evolução do time – será que faz bem jogar as eliminatórias asiáticas em vez daquela brincadeira que é a Oceania?

Temos, então, a primeira seleção classificada para a segunda fase. Ainda não de fato, existe uma ínfima chance da Holanda perder a vaga. Mas, sinceramente, alguém acredita nisso?


terça-feira, 17 de junho de 2014

O que eu vi da primeira rodada da Copa do Mundo

Sim, eu sei que já tivemos Brasil e México pela segunda rodada. Mas depois do confronto entre Rússia e Coréia do Sul, todos os times realizaram pelo menos uma partida no mundial. E já dá para ver algumas coisas interessantes.

A Holanda: Confesso que fui um dos que não acreditava na lendária camisa laranja antes de começar a Copa do Mundo. Achei que um grupo com a seleção campeã mundial e um time rápido e técnico como o Chile fosse o suficiente para fazer uma bagunça. Inclusive cravei que Espanha e Chile passavam. Perdoem este blogueiro. O que a Holanda fez com a Espanha no segundo tempo em Salvador foi um verdadeiro massacre que beirou a perfeição. Entraram com o pé direito e vai vir voando no restante da Copa.

A Espanha: Do outro lado da moeda, os derrotados. Seria o fim do Tiki Taka? Sei lá. O fato é que a posse de bola não ajudou, de novo, um time a ganhar a partida. Aconteceu com o Bayern contra o Real Madrid e com o Barcelona contra o Atlético pela Champions. A falta de objetividade pesou, sem dúvidas. Ah, e um pouco de firula demais do Silva na hora de matar a partida, quando ainda estava 1 x 0 para os espanhóis.

Os Hinos: A Copa do Mundo no Brasil trouxe uma quantidade monumental de sulamericanos para dentro dos estádios brasileiros – a santa proximidade geográfica. E os nossos vizinhos tomaram gosto por essa história de cantar os hinos nacionais a capela e começaram a fazer também! Que coisa linda o estádio inteiro cantando muito além do que a FIFA acha que é o “suficiente”.

Os Sulamericanos: Ainda falando neles, que espetáculo a parte as torcidas do nosso continente. Simplesmente incrível a festa que chilenos, argentinos, colombianos e até os equatorianos fizeram nos estádios. Transformaram partidas de Copa do Mundo em verdadeiras decisões de Libertadores da América.

A Alemanha: Ou “a favorita”. Depois da atuação de gala contra Portugal, não tem como dizer que os alemães não estão no primeiro grupo de favoritos ao título. Com um time extremamente equilibrado e técnico, o atropelamento foi mera consequência. Os lusos tem o melhor do mundo, verdade, mas quase só isso. O time era limitado e não aguentou a pressão.

Os Jogos: Com três gloriosas exceções (Brasil x México, Irã x Nigéria e Rússia x Coréia do Sul), as partidas dessa Copa do Mundo estão muito acima da média das últimas. Reviravoltas nos últimos minutos, craques brilhando, jogadas de efeitos e gols. Aliás, muitos gols. Até o empate em Curitiba a média era de 3,5 gols por jogo. Depois de hoje, são 2,9 gols. Ainda tenho esperanças de que quebraremos a marca dos 3 ainda nessa segunda rodada. Tenhamos fé!

Por ora é isso. Que venha uma grande segunda rodada, como a primeira foi!

Rússia 1 x 1 Coréia do Sul: Acordar com o gol

A primeira coisa que chamou atenção nesse jogo é a diferença de idade dos dois times. Do lado russo, um elenco experiente e mais envelhecido, carente de jovens promessas. Do lado coreano, vários jogadores que estiveram na campanha do terceiro lugar olímpico em 2012.

Com a bola rolando, essas diferenças ficaram par atrás. O primeiro tempo foi muito igual – e chato. Algumas chances aqui e ali, apenas. Pendendo pro lado da Coréia, que jogou pouco melhor.

Como se fosse possível um jogo esquentar mais ainda em Cuiabá, isso aconteceu só da metade pro final do segundo tempo. Akinfeev, excelente goleiro do escrete russo, cometeu a maior falha até aqui da Copa do Mundo. É bem verdade que vinha sofrendo com os chutes de longe da seleção asiática, rebatendo várias bolas para a frente e soltando tiros relativamente fáceis, mas o gol de Lee Keun Ho poderia ter sido evitado.

A resposta, quase imediata, veio numa situação quase cômica na grande área coreana, com muitos chutes sem destino até a bola sobrar para um bem posicionado Kherzakov estufar o barbante.

Parece que a partida só pegou no tranco a partir daí. Boas chances dos dois lados. A Rússia poderia facilmente ter virado o jogo e a Coreia ter voltado a frente no placar.

Mas não aconteceu. E o 1x1 coroou o grupo mais fraco tecnicamente da Copa até aqui. Melhor para a Bélgica, que reina absoluta na liderança.

Brasil 0 x 0 México: Ainda há um longo caminho

Existem alguns times no futebol que o Brasil têm uma dificuldade tremenda de ganhar, por quaisquer motivos que sejam. Talvez pelo estilo de jogo, talvez por tabu ou simplesmente porque “encaixou”. E nem sempre são equipes de primeiro escalão: a Noruega é uma tremenda pedra no nosso sapato, por exemplo.

Outro time é o México. Nesse século temos saldo negativo contra a seleção mexicana. Chegamos até a perder uma final de olimpíada, com um time ótimo e uma campanha sensacional, contra eles.

Talvez por eles saberem se comportar, talvez pela proximidade no continente ou ainda outros fatores. Nos últimos anos o México é um problema sério para o Brasil.

Isso posto, ao jogo.

O Brasil jogou mal. O lado direito, novamente, foi capenga – e podemos agradecer ao Daniel Alves por isso. De novo uma partida muito abaixo da crítica, errando demais, fazendo opções equivocadas e jogadas sem sentido – isso sem contar a sua predisposição a perder bolas bestas no ataque e, mais perigoso ainda, no meio de campo.

Fred também não conseguiu se achar nessa Copa do Mundo. Mais uma partida em que não consegue acertar o tempo, nem da bola e nem da jogada. Ficar três vezes em impedimento em 45 minutos é demais para um jogador da sua categoria. Seu último lampejo, infelizmente, foi contra a Sérvia. Depois, mais nada.

Destaque positivo para o sistema defensivo brasileiro. Várias vezes que a seleção mexicana ameaçava chegar perto da grande área brasileira, tinha um defensor pra tirar, seja ele Davi Luiz, Thiago Silva ou até Luiz Gustavo em alguns momentos. Aliás, talvez o Thiago tenha sido o melhor jogador brasileiro em campo.

No meio de campo, deserto de ideias. Oscar estava sozinho enquanto jogou pelo lado direito – Dani Alves não entendia quando era pra se apresentar para as tabelas -, Ramires não conseguiu render tanto quanto rende no Chelsea e Paulinho ainda está timido demais e atacando de menos no time do Felipão.

Neymar até tentou. Ia para cima, tomava falta, puxava a marcação e arriscava finalizações. Uma cabeçada sua foi o melhor lance da partida, quando Ochoa tirou a bola em cima da linha. Depois, alguns chutes, algumas enfiadas, mas nada efetivo. O time do México conseguiu, realmente, armar um esquema para não deixar o Neymar jogar.

Bernard entrou no segundo tempo, conseguiu algumas jogadas em velocidade e depois sumiu. Não manteve o ritmo até o final. Até fez boa dupla com Marcelo, ligado no jogo, mas a produção caiu muito. William e Jô pouco apareceram.

Já o México foi regular a partida inteira. No começo do segundo tempo e da metade pro final chegou a ser muito superior, dando trabalho à defesa e obrigando Júlio César, na bacia das almas, a trabalhar bem. Um ou outro chute perigoso.

Resultado ruim para o Brasil e nem tão bom assim para o México. Uma vitória simples contra Camarões deve classificar o Brasil. Já os Mexicanos têm um confronto duríssimo contra a Croácia.

Há muito o que corrigir se a Seleção Brasileira quiser ganhar essa Copa do Mundo. Nesse jogo pudemos ver bem isso.

Bélgica 2 x 1 Árgelia: Prova de fogo

Se você perguntar para alguém que acompanha mais ou menos futebol europeu qual seleção seria a surpresa nessa copa, ele provavelmente responderia a Bélgica. Há muito não se via uma geração tão talentosa por lá, com jogadores sendo destaques em grandes clubes.

A prova de fogo, naturalmente, seria na Copa do Mundo. Nada melhor para mostrar se veio pra ficar ou se era apenas uma expectativa.

Do que eu vi, ainda falta algo. O time é bom, técnico, têm nomes de excelente técnica e alguns líderes em campo. A movimentação ainda é um problema: os belgas estão muito estáticos em campo. Quando a Árgelia armou, não um ônibus, mas toda a frota da Viação Cometa na frente da área, a situação complicou.

Talvez esse tenha sido o pênalti mais claro da Copa. Sorte da Árgelia, que não tinha nada com isso e fez o gol. Azar dos belgas, que tiveram que lutar muito para voltar ao jogo.

No segundo tempo, com o time mais solto e indo mais para cima, a virada acabou sendo o caminho natural. Mesmo depois de tomar a dianteira no placar, a Bélgica continuou em cima – numa competição com primeira fase curta como a Copa do Mundo, o saldo pode definir o primeiro e o segundo lugar nos grupos.

Gostei do que vi. O time é muito jovem e precisa de vários ajustes. Talvez não seja ainda nessa copa, mas eu não tenho dúvidas que essa seleção da Bélgica pode ser um grande time.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Gana 1 x 2 Estados Unidos: Menos técnica, mais raça

Não foi ruim como o jogo anterior, mas também foi longe de ser divertido como outros jogos.

O primeiro fato marcante foi o gol de Dempsey aos 28 segundos de jogo – o 5º mais rápido da história das copas do mundo. O duro foi aturar o primeiro tempo depois disso: os americanos não quiseram saber de jogar futebol depois disso – fosse por falta de capacidade técnica, falta de perna ou opção mesmo.

Gana, que não tinha nada a ver com isso e estava atrás no marcador, foi para cima. Não conseguiu furar o bloqueio quase hora nenhuma. Quando assim o fazia, Howard segurava as pontas no gol.

O roteiro seguiu igual por quase todo o segundo tempo. Aos 37, André Ayew conseguiu furar o bloqueio.

Nessa altura do jogo os Estados Unidos não conseguiam mais jogar futebol. Era só bico para a frente e era de quem pegasse. Nenhuma troca de passes no meio de campo, nenhuma jogada inteligente, nenhuma jogada sequer armada. Um festival de bola pro mato – afinal, era jogo de campeonato. Achei que nesse momento eles não teriam forças para passar retomar a dianteira no marcador.

Ora, ledo engano.

Cinco minutos depois, Brooks, gigante, manda para o fundo do barbante em cobrança de escanteio. Festa geral daqueles que “não gostam de futebol”.

Se não gostavam antes, tenho certeza que alguns passarão a gostar depois desse jogo.

Faltou o brilhantismo de outras partidas. Mas não faltou emoção. Nem gols.

Irã 0 x 0 Nigéria: Ponto fora da curva

Essa Copa do Mundo está surpreendendo a todos. Só jogos bons, do início ao fim na maioria das vezes. A maior média de gols da era moderna, público participativo, festa, cobertura gigantesca.

Mas nada dura para sempre. Tivemos, enfim, um jogo ruim. Na realidade tenebroso.

Irã e Nigéria queriam duas coisas: não perder e, se possível, não sofrer gols. Pode-se dizer, então, que os dois estão contentes.

Nenhum veio para atacar, nenhum veio sequer armado para tentar agredir ou agregar um pouco de inteligência em campo. Dois times prontos para destruir.

Uma diferenciação, porém, é necessária: a Nigéria é bem melhor do que o Irã. Não conseguir três pontos nesse jogo é péssimo para os africanos se um dia sequer cogitaram passar à segunda fase. O caminho, hoje, está aberto para a Bósnia conquistar a classificação.

O Irã é praticamente um time de desconhecidos. A Nigéria ainda tem nomes como Enyeama (ótimo goleiro), Victor Moses, Obi Mikel e Emenike. Mesmo assim não conseguiu impor rigorosamente nada em campo.

Tivemos, enfim, um ponto fora da curva: um jogo tenebroso. Vamos rezar para que seja o último.

Alemanha 4 x 0 Portugal: Pagando promessas

Existe um grupo de 3 ou 4 times que são colocados como favoritos no início de todas as copas do mundo. É verdade que normalmente a Alemanha, por mais frágil que esteja, figura nesse panteão de grandes seleções. O que custa,muitas vezes, é esse grupo comprovar logo sua condição.

A Alemanha prometeu: iria chegar ao Brasil com a base que surpreendeu e até, de certo modo, encantou em 2010 – só que mais experiente e reforçada por novos nomes – e, com essa condição, brigaria pelo título. Dito e feito. Promessa paga.

Portugal é um time médio. Um ou dois nomes acima da média (Nani, por exemplo), um gênio e um escrete mediano para apoiar. Eu cravei a vitória alemã, mas confesso que não esperava tamanha superioridade.

Pepe ajudou, é evidente. O destempero que parecia domado na última temporada no Real Madrid apareceu na seleção (ele nunca fora expulso jogando pelo time nacional até esse jogo) e um abraço. Se a Alemanha já era forte jogando em iguais condições, quando foi colocada a superioridade numérica o jogo acabou.

Foram 4, poderiam ter sido facilmente 7. Os alemão pisaram no freio (afinal, o jogo foi na Bahia, não nos esqueçamos).

Promessa é dívida. A Alemanha prometeu chegar no Brasil como favorita. E chegou jogando como tal.

Argentina 2 x 1 Bósnia-Hezergovina: O gol que atrapalha

O título é extremamente paradoxal, eu sei. Se o objetivo maior de uma partida de futebol é o gol, como ele pode atrapalhar? Explico.

A seleção da Argentina é um time dividido em dois: um setor ofensivo espetacular e uma defesa capenga – e seu técnico parece saber disso. Montou o time com cinco atrás para soltar o meio e o ataque. Era uma tentativa de ter solidez atrás e dar liberdade pro ataque brilhar em lances isolados.

Só que aí aconteceu o gol contra de Kolasinac, aos 2 minutos de jogo. Ora, com cinco defensores em campo, a equipe sulamericana estava absolutamente pronta para defender assim que saísse o gol. Se ele saiu aos 2 minutos, azar.

E foi isso. A Argentina abdicou de jogar o primeiro tempo. Uma boa chance aqui e ali, um pouco de susto da Bósnia, mas ficou nisso.

Falando em brilho individual, Messi apareceu quase na metade do segundo tempo com uma jogada ao seu estilo: avança com a bola colada no pé esquerdo, tabela com os atacantes, recebe e manda um chute fatalmente preciso. Segundo gol. E aí acaba a partida, praticamente.

Só tivemos um pouco de emoção depois que Ibisevic diminuiu o placar aos 39 do segundo. Uma pressão de leve. Nada demais.

O melhor ataque da Copa venceu, mas não convenceu. Ainda há bastante o que melhorar se pretendem fazer bonito no Brasil.

Mas não duvidem de Messi. Por favor.

França 3 x 0 Honduras: História sendo escrita

Antes de a partida começar todos já sabiam de duas coisas: a França era enorme favorita e o time de Honduras não economiza na pancada. O jogo não fugiu disso.

Mas dois fatos fugiram ao tradicional nessa partida. Por causa deles, ela ficará marcada nessa Copa do Mundo (e talvez na história).

O primeiro deles foi antes de a bola rolar. Por causa de uma falha no sistema de som, nada de hino nacional – para desespero geral. A Marselhesa, hino francês que atormenta brasileiros desde 1986 e, para os mais novos, desde 1998, não tocou. Esteticamente uma pena. O hino é maravilhoso.

Com a partida iniciada e uma arbitragem complicada – que o brasileiro Sandro Meira Ricci conseguiu conduzir bem -, o gol dos franceses era uma questão de tempo. Um pênalti, a expulsão de Palácios pelo segundo cartão amarelo e Benzema confere.

Logo no começo do segundo tempo veio o lance que talvez seja um divisor de águas no futebol: a bola que entrou e precisou ser checada pela tecnologia. Sim, Valladares tirou a bola de dentro do gol. Foi por muito pouco, questão de centímetro pra cá ou pra lá, mas foi gol. Quase um lance de partida de tênis.

O jogo valeu por isso. Rápido e rasteiro o árbitro teve a confirmação do gol. O telão só serviu para mostrar o fato consumado para os torcedores. A tecnologia, afinal, chegou ao futebol. E, se querem saber, veio para ficar.

O segundo gol de Benzema na partida e terceiro da França foi meramente protocolar. A história já estava escrita.

Suíça 2 x 1 Equador: A favor do relógio

O trocadilho foi inevitável quando o gol aconteceu no último lance da partida. Mil perdões. Ainda mais quando falamos de um time que não tem exatamente uma tradição ofensiva.

Mas essa Suíça tem um estilo diferente do habitual. Agride mais e vai para cima com mais técnica do que times anteriores. Buscou o placar até o final da partida e foi premiada.

Mesmo assim foi bastante surpreendente o Equador sair na frente no marcador. O time europeu jogava um pouco melhor – a partida estava aberta, é bem verdade – e acabou castigado por Valência (o outro).

No segundo tempo, com praticamente todo o estádio contra, só deu vermelho em campo. O gol logo no início ajudou a reestabelecer os ânimos (como se precisassem).

O prêmio veio no final. Castigo pro Equador? Nem tanto. A Suíça é melhor, era uma aposta natural. O desenrolar do jogo é que foi surpreendente.

No final das contas, mais um belo jogo. Como sempre, os suíços souberam jogar com o relógio. Mas no último lance, com emoção. Porque, no final das contas, isso é futebol.

domingo, 15 de junho de 2014

Costa do Marfim 2 x 1 Japão: O poder de um

As duas seleções são tecnicamente semelhantes. Um ou outro fora de série que joga em um grande clube europeu, alguma disciplina tática (mais para o lado dos asiáticos) e correria. Muita correria.

A partida, então, teria que ser decidida nos detalhes. Na verdade foi, em apenas um: Didier Drogba.

Esse é o grande ponto diferencial entre os dois times. Do lado da Costa do Marfim existe um jogador finalizador, decisivo, marrento, que chama o jogo para tomar conta dele. Já decidiu uma final de Champions League e marcou toneladas de gols no campeonato inglês – um dos mais disputados do mundo.

Deus lá sabe o porquê dele começar no banco. Talvez fosse exatamente para o que aconteceu: mudar a partida. E olha que ele nem precisou marcar gols para isso.

Liderando o time, colocando a bola no chão, Drogba carregou os Leões para uma virada complicada. É bem verdade que o Japão não é um time forte fisicamente, exatamente o oposto da Costa do Marfim. Quando a força se aliou à técnica ficou praticamente impossível parar eles.

Nada como uma boa virada – e Didier Drogba – para dar confiança.

Inglaterra 1 x 2 Itália: Promessa cumprida

Os grandes jogos exercem um fascínio natural. O porém é que, muitas vezes, a espectativa criada é exagerada em comparação com o espetáculo em si.

Mas em Manaus, num calor quase obsceno, tivemos o melhor dos cenários: Expectativa alta e espetáculo condizente.

Inglaterra e Itália estão em fase de transição. Os ingleses mesclam bons veteranos com promessas, e os italianos tentam mudar o estilo de jogo – o velho catenaccio tem cada vez menos espaço na Bota.

Essa estranha mistura deu em um excelente jogo. Grandes chances para os dois lados, boas defesas dos goleiros, jogadas de efeito e muita velocidade.

Mas a Itália tem um sujeito que é fora de série. E com Pirlo em campo tudo fica mais fácil.

Um segundo volante armador, que joga de cabeça em pé, distribui o jogo com maestria e facilidade e lidera o time em direção à meta. O comando do campo era dele. E do jogo também.

No segundo grande jogo da primeira fase não tivemos um massacre, como foi Espanha e Holanda. Mas tivemos um brinde ao futebol.

Que jogo, amigos. Que jogo!