segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Novo lar



É, meus amigos... Está na hora dos ventos da mudança soprarem!



Depois de um longo e tenebroso inverno sem atualizações, o nosso querido blog E Agora Futebol passa a ser o meu blog pessoal e vai para um novo endereço.

Todo o conteúdo desse site foi movido para lá, com fotos e categorias. Mas, de hoje em diante, esse blog não será mais atualizado.

O novo site agora é o Blog do BCoimbra, e vocês podem entrar lá clicando aqui ou na figura no topo do post.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Nova lista do velho Dunga

Saiu hoje de manhã a convocação. Alguns nomes esperados, outras surpresas e vários jogadores da última copa.

Goleiros: Rafael Cabral (ex-Santos) tem tudo para ser um nome interessante para o futuro. Boa aposta. Jefferson é a segurança do início de trabalho.

Zagueiros: Miranda e Gil vinham merecendo uma chance há um tempo e Marquinhos é o provável futuro. David Luiz tenta a redenção.

Laterais: Alexsandro e Danilo se consagraram no Santos e têm um futuro interessante à frente. Filipe Luis fez por merecer e Maicon, apesar de ter ido melhor que Daniel na Copa do Mundo, já flerta com o final de sua carreira na Seleção.

Meio campo: Se continuasse jogando no Flamengo o que jogou no ano passado, sem dúvida Elias tinha ido para a Copa do Mundo. Agora voltou para o Corinthians e manteve a grande fase, então merece a convocação. Já Everton Ribeiro se destaca no melhor time do país pelo segundo ano seguido e merece uma chance.

Atacantes: Hulk é uma aberração da natureza e continua inexplicavelmente em todas as listas. Das novidades, Tardelli é apenas bom e está em boa fase, Philippe Coutinho facilmente iria para a Copa do Mundo pelo que jogou no Liverpool temporada passada e Ricardo Goulart tem uma excelente oportunidade de mostrar serviço em alto nível.

No geral, uma boa lista. O único nome altamente contestável é mesmo Hulk.

Agora é ver jogando e torcer por alguma nesga de criatividade e mudança no time.

Burrice inexplicável e indesculpável

O campo de futebol, durante um jogo, é um terreno quase a parte no mundo. Existem regras que só valem ali e certas coisas que não podem ser feitas jamais. Atingir o juiz, propositalmente, se encaixa perfeitamente na segunda categoria.

Aliás, o próprio Petros negar que foi proposital é um insulto à nossa inteligência. Chega ao ponto da “vergonha alheia”. Ninguém muda de rota, levanta o braço e dá a carga sem querer fazer exatamente isso.

Notem, existe uma diferença sensível entre o que Petros fez na partida contra o Santos e aqueles lances com pitadas de comédia pastelão, quando o jogador tropeça no juiz ou está vendo uma bola alta e acaba dando uma trombada. Foi completamente diferente disso.

Não que eu ache o STJD o órgão mais responsável ou correto da história da humanidade, mas não posso dizer que ele errou nesse caso. É a pena mínima para esse tipo de agressão, então que sejam 6 meses suspenso.

Quem perde é o Corinthians com essa burrice inexplicável do seu atleta.

domingo, 17 de agosto de 2014

Botafogo 2 x 0 Fluminense: Nada deu certo pro tricolor

Há uma semana atrás esse era um confronto com um favorito claríssimo e um time ameaçado de entrar numa espiral descendente sem fim. E hoje, minutos depois do encerramento do clássico carioca, conseguimos ver como nada daquela previsão ne confirmou – e vimos como o futebol continua sendo fascinante.

Nada deu certo pro Fluminense, é importante frisar. O time das Laranjeiras desde o segundo tempo de sua partida na quarta não consegue mais encaixar o seu jogo e fluir nos 90 minutos. O “apagão” (palavra da moda desde o 7x1) foi um acidente de percurso. O que não é normal é a apatia do time hoje, em pleno clássico.

É bem verdade que existem agravantes e atuenuantes dos dois lados. O fato da partida ser em Brasília e não no Maracanã tira um pouco do peso de “ser clássico”. Uma parte dos salários dos botafoguenses foi paga. Aparentemente há indefinições quanto à renovação de algumas das (caras) estrelas do Fluminense.

Isso posto, os buracos inacreditáveis na zaga nos dois gols alvinegros foram imperdoáveis, assim como o pênalti isolado por Fred.

O Botafogo segue conseguindo arrancar pontos na base da raça aqui e ali – e vai ser assim até o final do campeonato. Já o Fluminense precisa reencontrar o seu jogo e o seu artilheiro.

Como diz um amigo meu, “tem dias que é de noite”.

sábado, 16 de agosto de 2014

Quer pontos corridos? Então toma!

Continuo a ver, aqui e ali, a defesa irracional e repleta de falácias do modelo de campeonato brasileiro de pontos corridos no futebol.

“Ah, mas funciona na Europa nos melhores campeonatos do mundo, então deve funcionar aqui”.

É mesmo?

Então vamos fazer mais algumas pequenas reformas no futebol brasileiro pra que o modelo seja plenamente adotado. Coisa boba, que segue:

-Campeonato nacional começando em fevereiro e acabando em novembro.

-Extinção total dos campeonatos estaduais.

-Extinção das federações estaduais de futebol e criação de uma federação brasileira, responsável por cuidar apenas da seleção nacional.

-Criação de uma liga de clubes, responsável por organizar competições nacionais, negociar contratos de patrocínio e televisão e fomentar a formação de atletas.

-Copa do Brasil ocorrendo em paralelo com o campeonato brasileiro, com a final sendo disputada na semana da última rodada.

-Taça Libertadores da América e Sulamericana sendo disputadas paralelamente de fevereiro a novembro, com jogos terças e quartas da Libertadores e nas quintas feiras da Sulamericana.


Esses são os elementos BÁSICOS que devem ser alterados no futebol daqui para que o campeonato de pontos corridos seja meramente parecido com os disputados na Europa.

Vai acontecer? Não.

Então não faz sentido ter pontos corridos no Brasil.

Ps. Não acho que a adequação do calendário seja um elemento fundamental na reforma do futebol brasileiro – ainda mais em se tratando de hemisférios diferentes e estações opostas ao longo do ano.







quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Zebra? Ah, vá...

Acontecer uma situação inesperada faz parte do jogo. Se são duas, é um “azar tremendo” ou dia em que “as bruxas estão soltas”. Três é um insulto à inteligência alheia.

É nada, é nada, a Copa Sulamericana é uma competição internacional. É de segundo escalão, certo, mas sem dúvidas dá mais visibilidade do que a Copa do Brasil. Precisar ser eliminado de uma competição nacional para participar de uma internacional não faz absolutamente nenhum nexo.

O Internacional estava mais ou menos nos planos ser eliminado. Fez um jogo péssimo no Beira-Rio e confirmou isso no Ceará. Não se achou nessa Copa do Brasil.

Já o São Paulo não tinha feito uma primeira partida ruim. O segundo jogo, com lances bizarros da defesa e de Rogério Ceni, é que impressionou. Precisava disso em casa?

Mas nada supera o Fluminense. Uma vitória convincente por 3x0 fora de casa e uma acachapante derrota por 5x2 em seus terrenos – América-RN classificado pelos gols marcados fora de casa.

Ninguém quer perder, isso é óbvio. Mas quando se tem um campeonato atrativo como “prêmio de consolação” (eu JURO que não sei como tive coragem de escrever isso), a vontade naturalmente é menor. Você não vai entrar disposto a qualquer coisa numa dividida.

E continuamos sendo feitos de bobo pela Conmebol e CBF e achando graça.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

San Lorenzo e sua Taça Libertadores

Hoje acabou a maior competição de futebol da América do Sul com um campeão inédito. O San Lorenzo – ou Clube Argentino Sem Libertadores da América, para os detratores – consegue acabar com a espera homérica. Finalmente o último grande argentino conquista a Liberta.

Sejamos sinceros: era um jogo de cartas marcadas. O Nacional, apesar de simpático e de sua inegável disposição, é um time bem mediano. Foi avançando aos trancos e barrancos, conseguindo suadas vitórias aqui e ali. Não tinha camisa para fazer frente ao adversário.

(Aliás, quem acompanha pouco futebol e viu essa final não deve ter entendido nada quando apareceu que o Nacional era do Paraguai, e não do Uruguai. Dá pra ter uma noção da pouca representatividade.)

Quanto à finalíssima, um jogo fraco. O Nacional foi melhor no que se propôs a fazer no primeiro tempo inteiro, conseguindo, inclusive, ameaçar uma pressão depois de ter levado o gol. O pênalti aconteceu, e da forma mais besta possível e imaginável. Pra quê levantar a mão daquele jeito, companheiro?

Na segunda etapa, quando todos esperavam uma pressão dos paraguaios pelo empate, a surpresa: o San Lorenzo conseguiu dominar as ações e quase não correu perigo. No contra ataque chegava bem, mas estava mais interessade em deixar o tempo correr para acabar logo o jogo.

Tensa como toda boa final, essa partida não vai ficar marcada pelo refinamento técnico das equipes. Vai ficar marcada, sim, como a final da raça e da vontade, dos times que não desistem nunca e das torcidas inflamadas – até demais no segundo tempo.

Parabéns ao San Lorenzo e ao Papa Francisco. Agora a reza vai ter que ser forte contra o Real Madrid em dezembro.

domingo, 10 de agosto de 2014

O baque. Cadê o futebol?

O ser humano gosta de comparações. Está na sua natureza. Alguma coisa é sempre “melhor” que outra e “pior” que uma terceira. Sempre buscamos comparar, traçar um paralelo entre os elementos pra achar pontos de convergência e divergência. Os próprios conceitos de “bom” ou “ruim” só pode existir quando houver dois elementos para serem colocados lado a lado e, então, analisados.

Pra quê toda essa filosofia? Para dizer que o futebol praticado no Brasil está ruim.

O problema é a comparação. Nunca tivemos uma Copa do Mundo tão próxima do quintal de nossas casas como a desse ano – mais ainda até que a de 1950, graças à evolução nos meios de comunicação – e por isso nos acostumamos mal.

Sim, muito mal, senhores. Aqueles jogos não vão se repetir tão cedo nessas terras. Talvez uma ou outra grande apresentação em competições europeias de clubes. Por aqui, não.

E no Maracanã, palco da disputada final, do show de James Rodríguez e de tantos outros lances memoráveis, vimos um jogo morno. Mais um, aliás. Bola alçada direto da defesa pro ataque, jogadores pouco inspirados, o gramado castigado, muita marcação e transpiração para pouca inspiração.

Ah, a inspiração da última Grande Copa. Ela poderia ter sido o vento de mudança para o futebol brasileiro. Não foi. Tudo continua na mesma toada, no mesmo ritmo doentio de um campeonato que parece piorar a cada ano que passa.

Clubes afundados em dívidas ameaçam fechar as suas portas, enquanto calotes que parecem simples se transformam em dívidas homéricas, jogadores tacados de lado em certames estrangeiros sendo recebidos como estrelas.

Sentimos o baque. E só sobrou a pergunta: cadê o futebol? Cadê o nosso futebol, que consagrou o Brasil como potência mundial no esporte?

Ninguém sabe. E o domingo a tarde passa marcando apenas torcedores ela emoção. Quem gosta de futebol sofre. Ah, como sofre.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Calote, dívidas e responsabilidade

Segundo notícia do ESPN.com.br, o Corinthians vai ter que pagar mais de 152 milhões de reais por culpa de impostos não pagos por Andrés Sachez, na casa de 35,8 milhões de reais. Com juros e multa o valor pula, então, para R$ 188,1 milhões.

Será que valeu a pena?

Sem querer julgar a situação específica do alvinegro – afinal, o clube se reestruturou, tem a marca mais valiosa do Brasil e finalmente ganhou a sonhada Libertadores da América pouco depois –, é interessante notar o ponto em que o futebol brasileiro se encontra.

A discussão é simples: ou paga os impostos, ou monta e paga uma equipe competitiva. A dívida? Rola para frente.

Nunca se arrecadou tanto no futebol brasileiro como hoje. Os clubes recebem valores altíssimos da televisão e dos patrocinadores, além de verbas do sócio torcedor e da bilheteria dos estádios. Mas as dívidas parece que aumentam na mesma proporção.

Seja como for, a situação não está sustentável. Podemos estar diante de uma bolha no futebol nacional, prestes a explodir? É possível. Os valores são condizentes com a qualidade do material apresentado ao torcedor e as dívidas crescem assustadoramente ano após ano.

O quadro preocupa cada dia mais.

Prévia da 14ª rodada do Brasileirão 2014

Quase final do turno já – impressionante como o Campeonato Brasileiro está andando rápido depois da Copa do Mundo. Nessa rodada temos aquela insanidade para o amante do bom futebol: dois clássicos no mesmo horário. Bora dar uma olhada geral no que teremos de bom:

Bahia x Goiás

Em um dos jogos da faixa de 18h30 de sábado, um confronto entre times com ambições distintas: o Goiás está a 4 pontos da zona de classificação para a Libertadores da América, enquanto o Bahia está a 3 da borda da zona de rebaixamento. Isso posto, esperem uma partida de doer os olhos – menos por causa do esmeraldino, que têm brilhos de bom futebol ao longo do jogo.

Criciúma x Cruzeiro

O líder vai ao sul enfrentar o Criciúma “Dortmund”, como é apelidado carinhosamente às vezes. O time catarinense faz uma campanha vacilante, olhando com atenção para o descenso (são 4 pontos acima). Partida fundamental para o time de Minas continuar na briga pelo título, já que o Fluminense joga em casa contra outro time ameaçado. Aliás...

Fluminense x Coritiba

Com ingressos a vinte reais (sócios com pacote futebol não pagam nada), o tricolor carioca espera lotar o Maracanã na sua perseguição ao líder Cruzeiro. Jogando em casa e vendo seu adversário direto jogar em campo hostil, é a chance do Fluminense de conseguir diminuir a distância para 1 ou 2 pontos.

Flamengo x Sport

Não é o tira teima de 1987, mas é um jogo importantíssimo para as ambições de ambos os clubes. Enquanto o Flamengo carrega a lanterna do campeonato, o Sport vê a Libertadores da América como uma possibilidade real – 3 pontos o separa do Corinthians, 4º colocado. Partida duríssima em que a Nação vai ser fundamental.

Santos x Corinthias

O primeiro clássico da faixa das 16h de domingo. O alvinegro praiano tenta pegar no tranco na competição – embalado pela contratação de Robinho – e vai pra cima do Corinthias para se aproximar do G4. Já os corintianos tentam virar a página do sacode de 5x1 no Campeonato Paulista, naquela mesma Vila Belmiro. Jogo duro e, ao que consta, com poucos gols.

Atlético Paranaense x Botafogo

Já não é mais o rubro negro paranaense impressionante do ano passado, quando foi vice campeão da Copa do Brasil e terceiro lugar no certame nacional. Mesmo assim eles são favoritos contra o Botafogo, que vive à sobra de um impressionante colapso financeiro sem precedentes em General Severiano.

Internacional x Grêmio

Porto Alegre vai parar com essa partida. O Inter busca os 3 pontos para se aproximar ainda mais do Cruzeiro, enquanto o Grêmio ainda quer uma maior regularidade e entrar de vez na briga por uma vaga na Libertadores. O primeiro Grenal no Beira Rio pós-Copa promete.

São Paulo x Vitória

Com Ganso, Kaká, Pato e Kardec, o São Paulo vai para cima do Vitória em casa. Muricy Ramalho precisa provar que um time com esses jogadores pode jogar mais sob o seu comando. Do lado do rubro baiano, preocupação com uma zona de rebaixamento cada vez mais próxima.

Atlético Mineiro x Palmeiras

O Galo já não tem Ronaldinho e empatou contra a Chapecoense em casa no meio de semana. Fosse contra qualquer outro adversário, isso faria acender a luz amarela para esse jogo. Não é o caso porque o Palmeiras não ganha desde a sexta rodada e vê perigosamente a zona da degola se aproximar. Atenção para Allione, que jogou muito bem no meio de semana contra o Avaí.

Chapecoense x Figueirense

Confronto catarinense entre a capital e o interior. A Chapecoense quer os três pontos em casa para se firmar no meio de tabela e espantar, de vez, o risco de rebaixamento nesse ano. Falando em série B, o Figueira precisa, desesperadamente, de uma vitória para escalar para fora da temida Zona.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Pontos Corridos x Mata Mata: Prólogo

Essa é uma questão extremamente delicada, que envolve milhares de fatores dentro e fora de campo e que precisa de um texto mais longo. Hoje, vou só fazer algumas ponderações pontuais.

A notícia da vez é que a Globo quer a volta do formato de mata-mata no campeonato brasileiro, substituindo o “consagrado mundialmente” formato de pontos corridos.

Eu particularmente gosto dessa ideia. Prefiro sem nenhuma dúvida um campeonato com final, onde o campeão ganha do vice em um jogo histórico do que um torneio com jogos a perder de vista e título decidido no conta gotas.

Mas o motivo seria comercial, como destacou Sérgio Xavier no seu blog. A Globo visa audiência, e os pontos corridos não conseguem entregar isso. Uma fase decisiva seria um bom meio de melhorar os números.

Não vou entrar, por ora, na discussão mais aprofundada, que envolve dinheiro, planejamento, formatos de competição no mundo, história, etc. Vou fazer uma série de posts mais detalhados para isso.

O que fica é a esperança de acabar com esse formato infernal dos pontos corridos. A minha, pelo menos.

E você, o que acha?

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Nacional 1 x 1 San Lorenzo: Velho e emocionante roteiro

Por isso que amamos o futebol de um aforma meio irracional: os filmes se repetem com atores diferentes e achamos tudo lindo, fascinante. E é!

O Nacional do Paraguai tem um time bem mais fraco que o time argentino – que, se não é um primor, preza a posse de bola e, em alguns momentos, consegue até fazer sequências de passes envolventes. O popular time do Papa Francisco, então, era favorito.

Tudo bem que talvez seja mais favorito a ganhar na soma dos dois confrontos do que nesse jogo especificamente. Mas fez por merecer. Conseguiu a posse de bola e as melhores (e poucas) chances. Se não massacrava, estava seguro.

O gol esperou até o segundo tempo para sair. Explosão argentina.

E o filme começou a se repetir: time da casa jogando muito mal a partida inteira, abusando de chutão, um adversário bem mais forte e que dominava até então, momento de desespero nos últimos cinco minutos e mais chuveirinhos na área do que a fábrica da Lorenzetti.

Obviamente, como se ninguém nunca pudesse suspeitar do contrário, gol do Nacional. Explosão no lendário defensores.

O Nacional saiu de cabeça erguida do campo e o San Lorenzo atordoado.

Significa alguma coisa pro segundo jogo? Claro que não. O time é muito fraco, e ter chegado nessa final é uma façanha incomensurável. Os argentinos ainda são francos favoritos.

Mas o velho roteiro foi escrito de novo. Especialmente para os bons amantes do futebol.

(Nota: não confundir com “amantes do bom futebol”)

domingo, 3 de agosto de 2014

Chapecoense 1 x 0 Flamengo: Nervosismo que mata

Que o Flamengo não tem um time bom nesse ano não é novidade para ninguém. Que a Chapecoense tem como objetivo ficar na primeira divisão nessa temporada também não. O jogo se desenhava para ser sonolento.

Aí acontece um gol antes dos 10 minutos e todo mundo acorda. Pode se culpar o sol, a lua, as estrelas ou o que for: cobrança de falta naqueles moldes não é para entrar. Paulo Victor falhou e deu números finais ao jogo.

No mais, o rubro negro foi castigado por sua inoperância ofensiva, dificuldade na armação e nervosismo. É verdade que às vezes sobrava vontade – especialmente com Negueba Alegria nas Pernas –, mas fazer a bola chegar em condições para o Alecsandro finalizar estava complicado.

E quando ela chegou, o que ele faz? Besteira. Com o time na situação em que está, perder um gol daqueles é indesculpável.

Uma coisa, porém, precisa ser dita claramente: o time melhorou em relação ao que estava jogando com o Ney Franco. Antes era um bando horroroso. Agora é apenas um time muito ruim.

Vida que segue. A Chapecoense vai continuar arrancando seus pontos aqui e ali (especialmente em casa) e o Flamengo vai perder jogos em situações bestas até conseguir os 45 pontos que precisa.

Só que precisa começar a pontuar logo. Está cada vez mais complicado...

A dívida dos clubes é a dívida dos torcedores?

O assunto da última semana – além das partidas, evidentemente – foram os dois projetos lançados pela torcida do Flamengo, de forma independente da diretoria: o Fla em dia e o Flamengo da Nação. O primeiro é um projeto semelhante ao que os torcedores do Vasco fizeram (Vasco Dívida Zero) e os do Botafogo (Botafogo sem dívidas), e visa o pagamento da dívida do clube com a União por meio das DARFs (Documento de Arrecadação de Receitas Federais). A dívida, então, é paga de maneira direta pela torcida, sem que o dinheiro passe por qualquer conta do clube. O segundo é um projeto tradicional de crowdfunding que visa a contratação de jogadores.

A polêmica se instaurou por causa de discussões quanto à legitimidade desse tipo de programa. Afinal, qual porcentagem da dívida de um clube é responsabilidade do torcedor e por que ele deveria levantar um centavo que seja para ajudar?

É preciso, no entanto, fazer uma divisão clara antes de prosseguir. Por questão de princípios, eu não apoio particularmente a iniciativa da torcida juntar dinheiro para a contratação de jogadores. O objetivo, embora claro, tem mais conceitos abstratos do que eu gostaria. Afinal, que tipo de jogador? E os salários? Será que o valor pago na contratação vai ser justo? E se ele não render? E se uma aposta não render, a torcida vai ter o direito de se sentir traída?

O futebol, por natureza, possui certas peculiaridades que tornam o imponderável praticamente uma constante. E, em se tratando do meu dinheiro, eu não gosto do imponderável. Logo, não sou adepto de crowdfunding para contratação de jogadores.

Agora o outro programa e a pergunta central do post: é legítimo um torcedor se sentir responsável pelo pagamento da dívida do clube que torce? Na minha visão, sim.

Eu sei que existem complexas questões, também, que envolvem humanos. As dívidas foram feitas por figuras irresponsáveis que assombram os clubes até hoje, podendo voltar e causar todo o problema de novo. Logo, pagar seria uma espécie de “perdão” da torcida para com a irresponsabilidade do dirigente – isso em uma visão mais pragmática da situação.

Mas é preciso olhar o cenário geral para conseguir entender que não é tão simples assim.

O fundamental é saber que os tempos são outros. Os mecanismos de fiscalização e de transparência que o clube e os torcedores dispõem hoje são diferentes de 20 anos atrás. Com balanços cada vez mais detalhados sendo disponibilizados e uma cobertura cada vez mais ferrenha da imprensa especializada e da torcida, uma eventual administração irresponsável da entidade é mais difícil. O próprio governo, hoje, tem ferramentas mais refinadas para um controle mais efetivo quanto ao pagamento ou não de impostos. Aquela farra que existia em outros tempos, quando a sonegação era a regra e não a exceção, está cada vez mais difícil de acontecer.

O torcedor também se sente mais responsável pelo seu clube quando paga uma parte da dívida. Houve uma época em que a torcida era um mero número medido em pesquisas obscuras e uma pequena parcela de gente que aparecia nos estádios. O clube era uma entidade com características surreais, distante do mundo físico aqui presente. O quadro de associados, responsável por mandar prender e mandar soltar dentro dessas instituições, era mínimo, desconhecido e alçado ao degrau de senhores do Olimpo: só eles poderiam conversar com os Deuses em sua terra sagrada – mesmo que estes não fossem deuses. Quando a torcida paga a dívida, ela se aproxima do clube, mudando o patamar dele de surrealidade para algo mais concreto, que pode ser abraçado fisicamente. Por mais cruel que possa parecer, a dívida e seu pagamento, então, faz o clube ser mais “humano”, mais sólido.

Palmas, então, para os torcedores. O processo de trazer o clube mais para perto e torná-lo mais real é longo e árduo, mas precisa começar a acontecer. Especialmente onde se encontra a maior torcida do Brasil.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Futebol, televisão e metrô

Virou o assunto da moda nas últimas semanas uma situação muito familiar para quem frequenta os estádios de futebol em São Paulo: transporte público no final da partida para voltar para casa. Ou horário dos jogos. Ou do metrô. Tanto faz.

Confesso que me causa estranheza isso ser discutido só agora. Todo mundo já sabia que esse horário só beneficia a televisão e torna a vida do torcedor que quer voltar para a casa depois da partida às 22h um verdadeiro caos. Mas a discussão, quando se tratava do Pacaembu – estádio localizado em uma região mais central da cidade – ficava marginalizada. Agora, com a Arena Corinthians realizando jogos em Itaquera, os holofotes reacenderam.

O problema todo é questão de dinheiro, que envolve televisão, que envolve audiência, que envolve interesse. Vamos por partes.

A Globo é detentora dos direitos de transmissão de TV aberta de praticamente todo o futebol brasileiro. Ela transmite dois jogos por semana: um aos domingos, na faixa das 16h, e um às quartas-feiras logo depois da novela, às 22h (ou 21h45). Exceções existiram, óbvio, como jogos aos sábados durante o carnaval e partidas isoladas de competições internacionais, Libertadores, na quinta-feira.

Como detentora dos direitos, a Globo paga – e muito bem – aos clubes. A fatia das receitas que vem da televisão é considerável, passando da casa dos 100 milhões por ano nos casos de Corinthians e Flamengo. Além disso, a emissora carioca também pratica constantes adiantamentos de cotas para que os clubes paguem suas dívidas crônicas e contas pendentes. No final das contas, é uma grande relação de parceria.

Ora, você paga pelo espetáculo e ainda manda um dinheiro mais adiante caso precisem. O espetáculo, então, vai se adaptar aos seus interesses. E o principal – em se tratando de televisão aberta – é a questão de horário e da nossa gloriosa “faixa nobre”.

Vamos à audiência, segundo o Ibope, na última quarta feira, dia 23 de julho. A fonte é o site RD1, como podem ver aqui.

Jornal Nacional 25

Império 33

Copa do Brasil (Corinthians x Bahia) 19

Jornal da Globo 9

Por volta das 21h, entra no ar a novela. Ela não é nada senão o programa televisivo de maior audiência diária no Brasil, hoje. Depois vem o futebol – e uma queda de quase 43% nos pontos.

“Ah, mas o horário tarde não deixa o pessoal assistir aos jogos, as pessoas tem que dormir!”

Mentira. Vamos aos números de domingo, dia 27 de julho:

Temperatura Máxima 13

Campeonato Brasileiro (Corinthians x Palmeiras) 20

Domingão do Faustão 18

Um dos clássicos mais importantes do futebol brasileiro, no domingo, meio da tarde, um horário ótimo. E um ponto a mais do que quarta (que teoricamente está em um horário “péssimo”).

(O caso de domingo é muito específico, já que a Globo dificilmente alcança o mesmo patamar de audiência dos dias de semana, e as emissoras concorrentes geralmente conseguem números mais expressivos do que o normal. Importante frisar que, mesmo com todos os “poréns”, o jogo foi o programa de maior audiência da televisão aberta no domingo.)

Percebem onde eu quero chegar?

Mesmo com tudo a favor, o futebol consegue só um pouco mais da metade de audiência de uma novela das 21h. A consequência direta disso é que a novela, então, tem prioridade absoluta na programação e o nobre esporte bretão é colocado na sequência.

Dinheiro, amigos. Audiência é tudo na televisão. E o futebol corriqueiro (exceção feita às grandes finais com times brasileiros e jogos da Seleção) não faz cócegas na novela. Azar do futebol e dos torcedores que precisam ir ao estádio.

Esse é o cenário, um tanto resumido, da relação televisão x horário x futebol. Agora, o transporte público.

O metrô de São Paulo, por questões estruturais próprias, não pode ser 24 horas. Não é por má vontade que fecha por volta da meia noite e abre por volta das 5 da manhã: nesse período é feita toda a manutenção e a limpeza da estrutura (trens, estações, trilhos, etc). Aliás, esqueçam esse papo de jovem revolucionário: a não ser que aconteça uma obra de proporções faraônicas, o metrô de São Paulo nunca vai ser 24 horas diariamente. Na virada cultural, UM DIA no ano, pode até acontecer. Todo dia, não.

O último trem, saindo de Itaquera 0h19min, deveria ser o suficiente (na teoria) para que o público terminasse de ver o jogo por volta de 23h50min e fosse para casa. Deveria, se o processo de escoamento do estádio fosse uniforme e todas as pessoas conseguissem chegar na estação mais ou menos no mesmo tempo. Mas aí entram dois problemas: o público não é homogêneo (existem pessoas que andam mais devagar, seja questões físicas de dificuldade ou qualquer motivo) e é muito grande. Em jogos grandes, são mais de 30 mil pessoas saindo, a maioria para o mesmo lugar.

E essa estação fechar 0h19min não significa que o metrô para de funcionar logo depois: há a questão da integração garantida, outras linhas funcionando, escoamento de todos os usuários do transporte.

Fazendo contas simples, dá para ver que o metrô vai parar de funcionar lá para uma e tanto da manhã. E cinco tem que estar tudo pronto para um novo dia de trabalho.

É mole?

Tendo em vista essa zona toda, o aumento de apenas 11 minutos – para 0h30min – no horário do último vagão acaba não virando uma bola de neve tão grande. Mas ainda assim há o prejuízo de tempo para a realização da tal manutenção da madrugada.

Vendo por fora, dá a impressão que não dá para esticar muito mais o horário além disso. Vai ser 0h30min e pronto.

E sabe por que o seu clube não reclama do horário com a detentora dos direitos, em nome dos seus torcedores que tem dificuldade para voltar para casa?

Porque ele, provavelmente, tem dinheiro adiantado. Você vai comprar briga com quem te adianta a grana na hora do aperto? Jogando a hipocrisia para escanteio: nunca, nem no sonho mais alucinado.

Enquanto a novela for o carro chefe da Globo e a audiência do futebol não compensar uma mudança de horário, tudo vai continuar exatamente como está.

Os motivos estão na mesa e a solução não é tão simples como parece. Para começar a pensar em mudar esse modelo é preciso uma revolução profunda no futebol brasileiro. Não vai acontecer tão cedo.

P.S.: E o Morumbi? Também não é próximo do centro e ninguém aparentemente reclama – podem indagar. A resposta é simples: costume. As pessoas já se acostumaram com o horário e com o acesso lá, então nem lembram de reclamar. A Arena Corinthians é muito nova, não teve nem 10 jogos com o dono da casa ainda e apenas um às 22h. A tendência, infelizmente, é que as pessoas se acostumem também.


Bragantino 1 x 2 São Paulo: A arte de diminuir o ritmo

Quando um dos candidatos ao título brasileiro da primeira divisão enfrenta um dos candidatos ao rebaixamento na segunda o mínimo que se espera é o domínio da partida e, por consequência, a vitória. O São Paulo venceu, sim, e chegou até a dominar na primeira metade do primeiro tempo. Mas poderia ter sido mais fácil.

Em um determinado momento da primeira etapa o time paulistano chegou a ter 74% de posse de bola. Passavam a bola pelo chão, giravam o jogo, buscavam alternativas. Um futebol interessante e, vindo do Muricy Ramalho, até surpreendente.

Ganso, vejam vocês!, estava agindo como um verdadeiro maestro nessa altura: centralizava as ações, pedia a bola e corria atrás. Mais de uma vez chegou a buscar jogo com os próprios zagueiros, praticamente como volante.

Aí veio o gol contra surreal do Bragantino, daqueles com convicção. E o São Paulo esfriou. A partir daí parou de achar facilmente as alternativas e o jogo ficou mais parelho.

Na segunda etapa, um pouco de emoção com boas chances pros dois lados. Mas um pênalti besta, bem cobrado por Alexandre Pato, praticamente selou a vitória.

Só que o Bragantino começou a ganhar terreno e numa jogada na ponta direita de Léo Jaime e um passe magistral para trás, Luisinho mandou para dentro do barbante.

No geral, o São Paulo vem apresentando elementos interessantes depois da parada da Copa do Mundo. Se conseguir manter esse ritmo e esse nível de concentração até o final das partidas, chega forte nessa Copa do Brasil e, quem sabe, até no brasileiro.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Felipão no Grêmio: por que não?

Estamos diante, mais uma vez, de uma mudança radical de valores em um grande clube do futebol brasileiro.

Vejamos: você tem um técnico jovem e com potencial, mas que ainda não possui um nome forte o suficiente para ser bancado pela direção perante uma torcida. Depois de três empates (todos por 0x0), uma vitória contra o Figueirense e uma derrota contra o Coritiba, ele é demitido. Para o lugar dele, é contratado um figurão, campeão da Libertadores pelo clube e com uma história absurda – de quase 20 anos atrás.

Ah, importante constar: figurão esse que, no comando da Seleção Brasileira, foi um dos responsáveis direto do maior vexame da história do escrete nacional. Em casa.

Mas... por que não?

É uma questão de identificação, uma coisa subjetiva demais para ser medida na frieza dos números. Felipão é gaúcho e fez história no tricolor de Porto Alegre. A torcida idolatra ele e há anos torce por um retorno. Ok, o timing não foi o ideal – e a volta depois de uma humilhação desse calibre é bem contestável – mas isso depõe quanto a dar certo ou não.

Talvez Luiz Felipe Scolari seja antiquado, talvez não tenha os melhores métodos, talvez seja cabeça dura demais pra mudar. Tudo isso pode ser verdade. Mas ele tem a cara e a alma que o Grêmio pode precisar nesse momento.

Só voltando rapidamente ao começo do post: não acho que Enderson Moreira merecia a demissão – especialmente por estar a três pontos da zona de classificação à Libertadores de 2015. Confio no seu potencial, acredito que o tempo em um clube grande poderia fazer um bem enorme a ele e ao futebol brasileiro.

Mas ele saiu e veio Felipão.

E a pergunta é: por que não?

O adeus de Ronaldinho Gaúcho

Acabou o casamento entre Ronaldinho e Atlético Mineiro. Cerca de dois anos no clube e três títulos depois, cada um segue o seu rumo.

Surpreendentemente, essa é a primeira vez que ele sai “na boa” de um time. No Grêmio e no Flamengo, vários problemas. A torcida de ambos não perdoa.

Mas conseguiu se recuperar no Galo. Foi campeão mineiro, da Libertadores da América e da Recopa por lá. Esteve junto nas maiores glórias.

O momento agora é outro. Ronaldinho tem o problema clássico da sua falta de interesse em jogar futebol: simplesmente esquece que é um atleta profissional depois de um tempo e vira mais notícia fora de campo do que dentro dele.

Talento? Inegável. Faz com a bola o que eu vi poucos fazerem. O problema é que não quer fazer sempre.

O prazo de validade talvez tenha passado um pouco. Depois da conquista continental, o declínio técnico foi visível. O Mundial de Clubes já não foi grandes coisas. Essa temporada, então, dispensa comentários. Quase um peso morto.

Sai bem, melhor do que entrou. Levou o Atlético à sua maior glória – com méritos e liderança.

Não consigo enxergar futuro para o ex-craque em atividade em um grande clube brasileiro. Talvez tenha mercado em países com futebol emergente – como Estados Unidos.

Boa sorte pra ele, boa sorte pro Galo. Finalmente uma despedida tranquila no Brasil.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Flamengo 1 X 0 Botafogo: Ânimo e vontade

Em um jogo, Luxemburgo conseguiu o que Ney Franco não conseguiu em sete: vitória – com o “agravante” de ser um clássico.

Mas relativizar é preciso. Se o Flamengo hoje está uma zona, o Botafogo consegue a façanha de estar dez vezes pior (vide a faixa com a qual os jogadores entraram em campo). Além disso o time da Gávea não apresentou um futebol de nível muito diferente do que vinha apresentando.

O que mudou, então? Vontade. Aliás, a partida foi jogada 90% na vontade e 10% em alguma técnica. Por isso foi um show de horrores, futebolisticamente falando. O segundo tempo, então, foi qualquer coisa de deprimente.

Eu cresci escutando que o Flamengo não pagava salários e que, por isso, os jogadores faziam o clássico “corpo mole”. A frase do Vampeta, inclusive, ilustrava bem a situação: “eles fingem que pagam e eu finjo que jogo”. Na época era comum ver medalhões se arrastando.

Hoje, porém, a situação é outra. Com exceção de um ou outro problema por causa de retenção de receita, o Flamengo está com seus salários em dia. Mesmo assim alguns jogadores insistiam em se arrastar.

Aí entrou Luxemburgo e um dos seus maiores acertos: barrou esses medalhões. Ora, se a situação hoje é mais estável e as condições de trabalho são boas, por que raios os caras ainda se arrastam? Tchau e bênção, vai esquentar o sofá de casa.

Um Flamengo comprometido, então, entrou em campo. Correndo, mostrando raça e disposição – como a torcida gosta.

Também dá para falar que o Botafogo entrou com raça e vontade em campo, mesmo com os 5 meses de direito de imagem e os 3 meses de salários atrasados. Mas um pequeno degrau de diferença técnica existe. E foi nele que o gol nasceu.

É nada, é nada, são três pontos fundamentais em um clássico estadual com casa cheia. O Flamengo agradece. A borda do buraco parece mais visível.

E o Botafogo? A luz no fim do túnel pode ser o trem chegando cada dia mais perto...

sábado, 26 de julho de 2014

Cruzeiro 5 x 0 Figueirense: Ninguém para

Uma das coisas mais legais do Campeonato Brasileiro, historicamente, é o equilíbrio. Sempre mais de um time consegue disputar bem boa parte da competição. Em algum momento alguém descola, mas normalmente o nível é muito semelhante. O próprio São Paulo em 2007, ano em que venceu com muita folga, não foi líder desde o início (lembram do nosso glorioso Botafogo?).

Mas um time é especialista em vencer de ponta a ponta, como o melhor dos pilotos de uma corrida: o Cruzeiro. Em 2003 foi assim (até teve uma disputa mais ou menos com o Santos) e em 2013 foi assim – esse último sem contestação.

E estamos vendo isso acontecer de novo. Dependendo dos resultados de amanhã, o Cruzeiro pode manter a distância atual de pontos para o segundo colocado: 8. Isso em apenas 12 rodadas. É um absurdo, quase um ponto por rodada!

Contra o Figueirense foi mais um passeio. Tudo bem que era o confronto entre o melhor time do Brasil hoje contra um dos piores – e em casa.

A questão é que de passeio em passeio, sem dar sorte pro azar, o Cruzeiro vai caminhando cada vez mais tranquilo em direção ao segundo título consecutivo.

E com um lembrete importante: estava disputando a Libertadores da América durante a primeira parte do Brasileirão. Obviamente eles não ligaram.

O Cruzeiro? Ninguém para.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Luxemburgo no Flamengo: pior do que tá, não fica

O título do post não é nenhuma mentira: com o time na lanterna da competição – 7 pontos em 11 jogos –, o que vier é rigorosamente lucro.

Vanderlei Luxemburgo é polêmico na essência. Foi o melhor técnico brasileiro de uma geração, montando times sensacionais e ganhando títulos. Nos últimos 10 anos ficou apenas nos estaduais e numa passagem modesta pelo gigante Real Madrid.

Volta ao Flamengo numa das piores horas da história do time carioca. Lanterna, vai precisar suar sangue pra evitar o rebaixamento para a segunda divisão – apesar dos dois pontos que separam ele do primeiro time fora.

Isso posto, vamos relembrar a saída dele do mesmo Flamengo em 2012.

Luxemburgo se indispôs com Ronaldinho Gaúcho – então estrela do time – no começo do ano. Depois, foi sendo “cozinhado em banho maria” pela diretoria até sua demissão e posterior contratação de Joel Santana. Ironicamente o mesmo Ronaldinho saiu do time pouco depois.

O trabalho tinha sido ruim? Não. O time vinha numa caminhada consistente no Campeonato Brasileiro de 2011, com momentos de irregularidade mais próximos do final da competição. Mesmo assim conseguiu a vaga na Libertadores da América do ano seguinte. Além disso, ficou oito meses invicto e conquistou o Campeonato Carioca (que só serve para fins de registro atualmente). Parte dos problemas daquele time se deve à velha conduta do mês de 90 dias do Flamengo na hora de pagar salários – o próprio Ronaldinho saiu do clube alegando isso.

Pior do que está não pode ficar. Luxemburgo é melhor treinador que o Jayme e muito melhor que o Ney Franco. Está vindo de um trabalho caótico no Fluminense e está sem mercado no momento.

Situação de oportunidade para ambos. Para o Flamengo conseguir sair logo dessa situação incômoda e para Luxemburgo recuperar um pouco de seu velho brilho como técnico.

Ambas as situações vão fazer bem ao futebol brasileiro. A torcida é grande.

Atlético Mineiro 4 x 3 Lanús: Vale, e muito

A Recopa, assim como quaisquer supercopas europeias, vale muito pouco. Jogo que normalmente é em começo de temporada, com os times frios, cheios de novidades sem entrosamento. Enfim, está lá mais por estar. Não necessariamente mostra quem é o “supercampeão”.

Mas em um jogo com drama até o final, prorrogação, sete gols, Brasil e Argentina em campo, estádio lotado, expulsões, golaços, falhas inacreditáveis e outros elementos, vale e muito.

Sim, o Atlético Mineiro fez valer algo que quase não significava nada. Do gol 100 de Tardelli no começo, passando pela virada relâmpago dos argentinos ao empate no final da primeira etapa, do terceiro gol adversário marcado no último minuto de partida, dos 2 gols no tempo extra e da falha monstra, tudo contribuiu.

E o Galo que não ganhava nada há décadas consegue mais uma taça para a sua sala de troféus. O estádio que viu a maior tragédia da históriada Seleção Brasileira viu sua redenção em um jogo de clubes. Não haveria uma tragédia nessa noite.

Vale, e vale muito.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Avaí 0 x 2 Palmeiras: Pegando no tranco

Eu tenho uma particular curiosidade de ver um técnico estrangeiro trabalhando bem em um time grande aqui no Brasil – ainda mais no momento atual do nosso futebol. Por isso torço muito pelo trabalho do Gareca no Palmeiras.

O começo foi aquela coisa bem mais ou menos, com duas derrotas. E eis que surge um jogo chave (e chato de ser jogado): fora de casa, na Copa do Brasil, contra um time da segunda divisão. Organizado, mas mesmo assim de segunda divisão.

O Palmeiras, então, passou na prova.

No início a situação estava complicada. O Avaí conseguia se apresentar de igual para igual, e até assustar. Da metade pro final do primeiro tempo o Palmeiras começou a ter o domínio.

Na segunda etapa pegou no tranco. O alviverde conseguiu encaixar boas jogadas e, num lance de muita confiança individual, certa habilidade para acertar a bola e um tanto de sorte, Felipe Menezes manda um bom chute de fora da área.

Com o jogo mais aberto, o Palmeiras conseguiu mais espaço para jogar e conseguiu aumentar com o mesmo Felipe Menezes oito minutos depois. A partir daí foi só administrar.

Uma apresentação segura depois do intervalo e um princípio de crise jogado para escanteio com a vitória. Nada melhor do que isso. Mantendo esse ritmo, o time pode, finalmente, pegar no tranco no Brasileirão.

terça-feira, 22 de julho de 2014

De Breitner a Dunga, nada vai mudar no Brasil

Finalmente Dunga foi anunciado oficialmente como novo técnico da Seleção Brasileira, com direito a coletiva e todos os trâmites naturais.

E ficou claro que nada vai mudar. Na verdade me sinto até ingênuo de ter cogitado o contrário, especialmente com essa diretoria da CBF aí presente.

Uma das respostas da coletiva me surpreendeu negativamente. Parte tática a parte (que nós temos a esperança que Dunga consiga oferecer mais do que da outra vez), o técnico apresentou sua visão sobre a Alemanha e o título.

Segue o trecho, publicado no globoesporte.com:

“Parece que todo mundo descobriu a Alemanha agora, mas eles sempre foram organizados e tiveram planejamento. Sempre tiveram centros esportivos. Morei lá e vi. É um país que tem tradição de dar importância aos esportes em geral, à formação dos atletas, convivência, educação... E agora acham que eles fizeram isso nos últimos anos? Sempre foi assim. O que aconteceu foi que a Alemanha encontrou uma geração de ótimos jogadores como já teve no passado. As peças encaixaram, deram tempo ao tempo.”

Engraçado que a fala dele contrasta justamente com o que diz Paul Breitner, que foi no programa Bola da Vez na ESPN Brasil em 2013 e cravou, profeticamente, que a Alemanha seria uma das maiores favoritas a conquistar o título no ano seguinte.

(ok, não precisava ser nenhum gênio para ver esse favoritismo, mas vale o registro)

O trecho importante da entrevista você pode ver clicando aqui. E eu copio abaixo um outro pedaço, dessa vez numa reportagem mais ampla sobre o futebol alemão publicada na ESPN.com.br:

"Não adianta mudar com jogadores de 17, 18 e 19 anos. E sim meninos de 11, 12 e 13 anos. E você realmente precisa mudar coisas que importam. É o caminho. Quando você diz que nosso último título foi em 1996, foi um dos divisores de águas no futebol alemão. Desde o início dos anos 90 o futebol muito e no início da última década. E nós estávamos pensando que éramos os melhores, que não tínhamos que aprender nada com ninguém. É a situação que o futebol brasileiro está hoje"

E mais outro:

“Mudamos o que se priorizava até então na Alemanha, que era a condição física. Esse trabalho demora 4, 5 ou 6 anos para ter efeito. E agora, nesses últimos dois ou três anos, podemos ver a primeira geração de 19, 20 e 21 anos. Um time jovem que tem um grande futuro pelos próximos quatro, seis anos. (...)”

No final das contas a pergunta que fica é: Será que os que cuidam do futebol brasileiro tem esse tal grau de miopia e soberba que são incapazes de ver, analisar e tentar aprender com o que estão fazendo fora do país, a ponto de achar que nada foi realizado?

Desisto da Seleção Brasileira, CBF e afins. Nada mudou e nem vai mudar.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Ronaldinho Gaúcho e o prazo de validade

Tenho gastado muito espaço no blog ultimamente para falar de jogadores velhos, que já renderam o que tinham que render ou simplesmente que estão desinteressados. Mas parece que é disso que é feito o futebol brasileiro: medalhões, figuras caras que rendem pouco, eternas promessas, atletas incapazes de dar dois passes certos e jovens de algum potencial.

Feito o “momento deprê”, segue o baile.

Ronaldinho Gaúcho foi substituído do intervalo do jogo de ontem – fato inédito na passagem dele pelo Atlético Mineiro. Saiu de cara feia e foi direto pro vestiário, segundo matéria do Globoesporte.com.

O fato é que não vinha bem no primeiro tempo e o time melhorou com seu substituto. Ponto. Aliás, Ronaldinho não está jogando bem desde o final da Libertadores de 2013 e do título do Galo. Fez um final de temporada inconsistente ano passado e se apresentou muito mal no mundial de clubes. Nesse ano ainda não engrenou, e a parada para a Copa do Mundo parece não ter ajudado em nada.

Ninguém em sã consciência é capaz de falar alguma coisa da capacidade técnica do Ronaldinho Gaúcho. Joga um absurdo – quando quer. O problema é exatamente esse: querer. No Barcelona foi assim, no Milan foi assim e no Flamengo foi assim. O filme se repete: momentos de lampejo, um ou dois objetivos conquistados e total desinteresse. E pelo que consta os salários estão em dia por lá (ao contrário do Flamengo na época).

Bateu o prazo de validade. O contrato não era pra ter sido renovado no final do ano passado.

(Não querendo ser engenheiro de obra pronta – é fácil dizer isso hoje –, mas ele não vinha rendendo há algum tempo e se apresentou muito mal no mundial. Era de se pensar)

É uma pena que um dos maiores jogadores da história recente do futebol brasileiro trate assim a sua carreira.

A hora é do Atlético Mineiro olhar mais para si e para o seu desempenho esportivo do que para sua história. Valeu Ronaldinho pelos serviços prestados, mas agora é bola pra frente.

Gilmar Rinaldi vem aí

A CBF anunciou hoje de manhã o nome de Gilmar Rinaldi para coordenador de seleções da CBF. O ex-goleiro foi revelado pelo Internacional de Porto Alegre e teve passagens por São Paulo, Flamengo (onde foi campeão brasileiro em 1992) e Cerezo Osaka, além de estar no elenco campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1994. Atuou durante anos como agente de atletas (sendo um dos seus clientes Adriano Imperador) e, num curto período, foi gerente de futebol do Flamengo.

Não é exatamente o currículo mais vasto da história para essa função. O curioso é que também não é um nome forte – como eram os de Parreira e Felipão. A intenção, talvez, seja de “oxigenar” os quadros da CBF, apresentar situações novas.

É um risco. Gilmar pode até ser competente e fazer um ótimo trabalho – estou torcendo por isso – mas, se a intenção era um “choque” e uma “mudança radical”, ela não aconteceu. A pressão vai ser gigantesca em cima dele.

Vamos aguardar e ficar na torcida por melhoras – porque a torcida por mudanças fracassou miseravelmente.

Flamengo 1 x 2 Atlético Paranaense: Justiças e injustiças

Mais uma derrota do Flamengo em casa e Ney Franco continua sem vencer no comando do time da Gávea. Quanto mais o rubro negro espanta a assombração, mais pra perto ela vem.

O time entrou desorganizado. Mesmo com três zagueiros, o Atlético conseguiu achar um verdadeiro rombo na zaga pra marcar o primeiro gol. Depois de muito “bumba meu boi” e pressão sem coordenação, o rubro negro chegou no empate.

A entrada de Mugni ainda no primeiro tempo deu estabilidade à equipe – e a de Luiz Antônio tirou um zumbi em forma de Elano para dar velocidade. Na segunda etapa o time melhorou, chegando muito perto de marcar o da virada.

Mas como o futebol não liga pra justiças, veio o segundo gol do Furacão e o último prego na tampa do caixão. Uma ou outra chance nos minutos finais, nada de relevante.

Ah, a velha ironia. Na hora que o Flamengo jogava melhor, gol do Atlético. Isso talvez tenha sido uma grande injustiça. O placar não; esse foi justo.

O rubro negro carioca dorme na lanterna do Brasileirão. E acende a luz vermelha.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Grêmio 0 x 0 Goiás: Parada pra quê?

Nesse reinício de campeonato brasileiro muito se falou de parada da copa pra cá, parada da copa pra lá, treinamento, tempo para recuperar, para se preparar...

Pra quê?

O jogo na Arena do Grêmio foi fraco. O time da casa apresentou um repertório pobre – apesar do elenco bem interessante. Giuliano, que veio lá de Deus de livre congelado, até tentou alguns lances interessantes. Talvez por falta de ritmo ou de melhor adaptação errou muito.

Barcos teve uma ou duas bolas com condições de chutar bem pro gol, mas passou em branco e saiu vaiado. Isso de um atacante que até outro dia sonhava com convocação pra Copa do Mundo. Ler isso hoje chega a ser cômico.

Muita ligação direta dos dois lados e pouca criatividade. Se alguém esperava um lapso de inspiração vindo da Copa, podem esquecer. A inspiração parece ter vido da Seleção Brasileira, isso sim.

Já o Goiás conseguiu o que queria: arrancar um ponto fora de casa contra um adversário que, teoricamente, é um dos candidatos ao título. Até teve chances de abrir o marcador na segunda etapa.

A pergunta continua: a parada pra copa ajudou?

Do que eu vi hoje, não.

Robinho, fenômeno imortal das especulações de transferência

Desde que Ronaldinho Gaúcho voltou ao Brasil em 2011, os dois jogadores mais cotados pra retornar eram Kaká e Robinho – sempre ele. O primeiro acertou o seu retorno ao São Paulo. O segundo é um fenômeno.

Nos últimos 4 anos, Robinho teve meia dúzia de convocações, uma passagem extremamente irregular pelo Milan e várias supostas “negociações” com clubes brasileiros.

É verdade que relativizar o desempenho no Milan é preciso: o clube italiano passa por uma crise impressionante, ficando em 8º lugar na última temporada – atrás de “potências” como o Parma e o Torino no campeonato italiano.

Mas mesmo assim a eterna promessa do Santos, inexplicavelmente, domina a área de especulações dos noticiários esportivos. A bola da vez, segundo matéria do globoesporte.com, é o Santos.

Um milhão por mês? É brincadeira, só pode.

Notícia plantada ou não, empresário tentando arrumar um lugar, pode ser qualquer coisa.

Só não pode ser sério. Mesmo com o nível baixo de competição do campeonato brasileiro, não faz qualquer sentido um clube pagar essa quantia ridícula por um jogador como Robinho.

Pra finalizar, um lembrete: ele quase foi convocado porque, pasmém, “era bom de grupo”, segundo rumores. Afinal, todo time que se preza precisa de alguém pra tocar o pandeiro...

terça-feira, 15 de julho de 2014

Botafogo, buraco negro e crise

Eu juro que tento fugir do lugar comum quando escrevo os meus textos, mas esse não teve como evitar: de fato existem coisas que só acontecem com o Botafogo.

Já são três meses de salário atrasado em carteira e mais cinco meses de direitos de imagens, segundo matéria do globoesporte.com. O pior de tudo: eles têm menos culpa do que se imagina.

Vamos voltar, claro, àquela velha lenga lenga de gestões absurdas no passado, montanha galopante de dívidas, juros crescentes, aquela coisa toda. Mas o fato é que mal ou bem o Botafogo vinha conseguindo uma estabilidade nos últimos anos.

E eis que surge o misterioso problema no teto do Engenhão, estádio que administra e que tem a concessão. 6 anos depois de pronto, o estádio precisa ser fechado para reformas. Beira a insanidade.

Sem usa principal fonte de renda e tendo que pagar para o nefasto Consórcio Maracanã um valor abusivo para jogar futebol em casa, o clube começa a sofrer de um efeito dominó nas suas contas. Seedorf foi, Vitinho teve que ir, Lodeiro disse tchau. Jovens são colocados na fogueira para resolver – uns conseguem e outros não, como é normalmente.

Com uma das menores torcidas entre as 12 grandes do Brasil e um programa de sócio torcedor apenas tímido (cerca de 11 mil sócios), o Botafogo precisa se virar nos 30 para conseguir sair desse atoleiro.

As duas últimas rodadas do Brasileirão antes da Copa (vitória contra o Palmeiras e empate com o Corinthians, ambos em São Paulo) deixam alguma esperança. Mas o cenário piora gradativamente.

A esperança por dias melhores é a última que morre. Mas hoje respira por aparelhos.

Pra quê Pato quer voltar, se ele nunca veio?

Imagine um desperdício no futebol. Agora vá aumentando até perder a medida. Próximo de alguma coisa na escala do absurdo, você tem Alexandre Pato.

A revelação que encantou o Brasil em 2006 no Internacional, que foi brilhar no Milan ainda muito jovem, que seria o herdeiro da camisa 9 amarelinha, que já foi de Ronaldo, Romário e Careca.

Veio pro Brasil a peso de ouro brilhar no atual campeão mundial. Fracassou miseravelmente. Foi para o São Paulo pra ficar sem poder jogar (!) por alguns meses, até o Brasileirão começar.

Veio a Copa do Mundo, o período de treinos. Veio Kaká, Alan Kardec e um belo time.

E o cara quer voltar pra Europa?

Eu não sei se é bem pena que eu sinto de um cara desses. Teve quase tudo que poderia desejar aos seus pés (inclusive a filha do dono do seu ex-clube e praticamente da Itália, deuses!), e vai jogando aos poucos a carreira no lixo.

Alexandre Pato nunca veio pro Brasil. Pelo menos não esteve presente. Jogou bem um jogo aqui e outro ali, pra nunca mais.

Pra quê ele quer voltar, se ele nunca veio?

Paciência, torcida sãopaulina, vocês precisam é de muita paciência até o fim do ano...

Brasileirão: aqui a bola não rola?

Nessa quarta feira o nosso campeonato nacional recomeça. Choque de qualidade a parte por causa da diferença do nível técnico entre o Brasileirão e a Copa do Mundo, teremos que aturar também um campeonato onde o jogo não flui.

Motivos (ou desculpas) não faltam: gramados ruins, excesso de faltas marcadas – as reais e as simuladas –, demora no recomeço do jogo e, é claro, a falta de qualidade do jogo em geral.

É óbvio. Em um futebol que nos últimos anos só se faz com bolas alçadas do campo de defesa direto paa o ataque (alguém lembrou da Seleção?), a chance dela sair do gramado é grande. Dá-lhe jogo parado. Isso sem contar as faltas.

Lógico que existem as equipes mais técnicas, como o líder Cruzeiro, que fazem um bom jogo pelo chão, visando a troca rápida de passes. Mas são as felizes exceções.

Cuidado com o baque. Vai recomeçar o Campeonato Brasileiro, o torneio onde a bola não rola.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Pós-ressaca: derrota do Brasil não foi acidente

Esse texto custou a ir pro ar por dois motivos: o primeiro e de caráter mais prático é que eu não estava em casa logo que a partida contra a Holanda terminou e o segundo é que eu quis esperar um pouco mais a repercussão desse jogo (e do fim da Copa do Mundo) pra postar.

Isso posto, não dá pra dizer mais que a derrota pra Alemanha foi um acidente.

Sendo bem sincero, os 6 gols de diferença foram, sim, exagero. Talvez em condições normais de temperatura e pressão o placar fosse menos dilatado (ainda mais quando se tem Felipão no banco – um técnico que deveria cuidar da solidez defensiva na teoria). Um 3x1 seria um placar mais condizente com a diferença entre os dois times.

E veio a disputa do terceiro lugar, que van Gaal disse abertamente que despreza. Pro Brasil ainda teria um certo valor, talvez devolver um pouco da honra pro torcedor ou simplesmente vencer uma grande potência do futebol mundial.

Enfim, nada disso aconteceu. Mais uma sapatada, dessa vez mais “normal”. Mas o começo do jogo, com aquela escapada e o pênalti-que-não-foi (e a expulsão que deveria ter sido), deu a impressão clara de “Alemanha está aí!”. O Brasil endureceu o jogo, conseguiu até ter lampejos do que pode-se dizer ser um estado pré-mesopotâmico de bom futebol. O 3x0, pela diferença técnica, foi justo no final das contas.

O emocional foi pro vinagre, o respeito pelo técnico e pelo futebol brasileiro também. Deu tudo errado nessa última semana de Copa. Se antes havia uma estrutura técnica, tática e mental minimamente organizada (ou equilibrada em palafitas improvisadas, quem sabe), tudo ruiu. A própria presença de Neymar no banco de reservas, depois da entrevista mais lúcida da semana na Granja Comary, foi um elemento inexplicável. Ou inócuo. Adiantou alguma coisa? Não.

Acabou que Luiz Felipe Scolari foi mesmo demitido, junto com toda a sua comissão técnica. Juro que não me surpreendo se me contarem que isso só aconteceu depois da derrota na disputa do terceiro lugar. Aliás, tem poucas coisas vindas de quem comanda o futebol brasileiro que me surpreenderiam.

Vida que segue. Daqui a pouco tem Brasileirão recomeçando. Espero que pelo menos 1% da lucidez futebolística que tivemos nessa Copa do Mundo apareça nos gramados por aqui.



Sou um bobo esperançoso, né?

10 motivos pelos quais a Copa do Mundo de 2014 não vai ser esquecida

 Mais uma Copa do Mundo se foi. Antes, porém, que sejamos acometidos com uma intensa DPC – ou Depressão Pós-Copa – vamos relembrar 10 fatos marcantes sobre essa Copa do Mundo de 2014, que ficará marcada para sempre?

1- Festival de gols na primeira fase
Essa Copa do Mundo teve um começo absolutamente fulminante no que diz respeito ao número de gols marcados. Chegou, em determinado momento, a ter uma média superior a três por jogo – maior que qualquer campeonato nacional. Óbvio que com o começo da fase aguda, confrontos maiores e partidas mais estudadas, essa média diminuiu. Mas a primeira fase desse ano, sem dúvida, entrou na história.


2- Americanos apaixonados por Copa
Talvez seja apenas uma moda causada pela Copa do Mundo – que nem para muitos torcedores aqui no Brasil – mas é fato que o futebol norte americano marcou a sua torcida nesse ano. As audiências batiam recorde atrás de recorde enquanto os comandados de Klismann avançavam na campetição. Os vídeos de americanos comemorando em bares e outros lugares públicos rapidamente se tornaram viral na internet.


3- Salvador
Se existe um lugar que ficou marcado no imaginário popular nessa Copa foi Salvador e seu estádio Fonte Nova – ou, como foi carinhosamente apelidado, “fonte de gols”. Alemanha, França e Holanda foram alguns dos times que encantaram a torcida baiana com ataques sensacionais. Com certeza vai fazer falta uma Salvador na próxima Copa do Mundo.


4- Alemanha causando na Bahia
Na verdade causando no Brasil em geral. Eles, que sempre tiveram esse estigma de ser um povo frio, deram um verdadeiro show de simpatia. Cantaram o hino do Bahia, dançaram com os índios, tiraram trocentas fotos para redes sociais, interagiram com o povo local, investiram na infra estrutura de Santa Cruz Cabrália, doaram dinheiro, etc. Simplesmente causaram, mas no sentido ótimo da palavra. A passagem dos alemães por lá não será esquecida tão cedo.


5- Torcidas sul americanas
Um show a parte. Todos os países do continente jogaram em estádios lotados com seus torcedores empolgados. O fenômeno “Bhogotá” foi apenas um dentre eles. Boa parte dessa “surpresa” pode ser atribuída à frieza com que os europeus encaram futebol, em suas arenas que mais parecem grandes teatros. Ficou o registro, e espero que tenha tocado o coração de alguém na FIFA.


6- Jogos emocionantes
Mais do que partidas com muitos gols, tivemos partidas com muitos gols nos últimos minutos. Como não lembrar da Bélgica, vencendo a Rússia na bacia das almas, ou dos Estados Unidos desempatando o jogo contra Gana com um gol de um garoto de 19 anos no finzinho? A vitória da Suíça contra Equador, o gol da Argentina contra a própria Suíça nas oitavas... Bons jogos com gols decisivos no final não faltaram.


7- Espanha
O que era um feito que só o Brasil tinha conseguido no século passado – ser campeão de uma Copa do Mundo e cair na primeira fase da copa seguinte – já foi repetido três vezes nas 4 últimas: a França caiu em 2002, a Itália em 2010 a Espanha agora em 2014. Com uma base envelhecida e sem encontrar sequer a sombra do bom futebol que lhe deu duas Eurocopas e uma Copa do Mundo inédita, os espanhóis foram eliminados muito antes do que se imaginava.


8- Costa Rica
Merece um ponto só para eles. Em um grupo “da morte” antes da Copa começar – e apontada como eliminação mais garantida da competição – os costarriquenhos mostraram que eram os únicos “vivos” do grupo. Jogando um futebol consistente, venceu Itália e Uruguai (este último de virada) e empatou, já classificada, com a Inglaterra. Depois eliminou a Grécia e caiu numa heróica disputa de pênaltis com a Holanda de van Gaal e...


9- Krul
A figuraça que garantiu a vaga nas semi finais da Copa. Ninguém sabia de nada – ele mesmo foi avisado no ônibus de que entraria em campo caso a partida fosse para os pênaltis. O fato é que contrariando tudo que a gente (acha que) conhece de futebol, o goleiro reserva entrou no último minuto da prorrogação da Holanda contra a Costa Rica, acertou o canto de todas as cobranças de pênalti e agarrou dois. Nas semis não entrou contra a Argentina – e o seu time perdeu com uma fraca atuação do titular Cilessen nas penalidades.


10- Alemanha Campeã
Eles merecem essa outra citação. Jogando um futebol moderno, com um batalhão de jovens meias talentosos (Özil, Müller, Götze, o próprio Reus que foi cortado), um esquema eficiente e um técnico meio louco, foram o primeiro país europeu a ganhar uma Copa do Mundo nas Américas. A seleção alemã hesitou, deu pinta de que poderia se complicar em algumas partidas, mas foi ganhando corpo e forma ao longo da competição. Título mais do que merecido e, se tudo der certo, pode ser uma ótima influência para o futebol mundial.

domingo, 13 de julho de 2014

Alemanha campeã do mundo!

O futebol alemão merece. Depois de 24 anos do último título – exatamente contra a Argentina na final em 1990 – veio o quarto título.

Existe palco melhor no mundo para isso do que o Maracanã? Óbvio que não.

Eles vieram e custaram a convencer. É verdade que o jogo contra Portugal foi um passeio, mas muito se pode por na conta da expulsão de Pepe. Depois veio aquela partida duríssima contra Gana, onde quase a vaca foi pro brejo, como diria João Saldanha. O último jogo modorrento contra os Estados Unidos veio só para confirmar o primeiro lugar e o favoritismo.

Começa a fase decisiva. Um jogo impróprio para cardíacos contra a Argélia, com vitória na prorrogação. Depois o jogo que talvez tenha confirmado o favoritismo, apesar de ainda ser abaixo da média: a França, uma das sensações da primeira fase, sofreu nas mãos dos alemães.

E vou falar o que da sapatada histórica de 7x1 contra a seleção brasileira? Domínio do começo ao fim da partida e um adversário completamente transtornado. Vai virar um mito, uma lenda, das maiores histórias de Copa do Mundo que já se viu.

A final poderia ter sido melhor jogada. Muita marcação e meio pouco inspirado. Foi preciso vir um garoto de 22 anos do banco resolver a parada. E como resolveu: gol digno dos melhores centro avantes – coisa que ele, aliás, não é. Um meia avançado que entrou como falso 9 ensinou o nosso Fred como se resolve uma parada dura.

A Alemanha, do planejamento, da geração que encantou o mundo em 2010, conquista a Copa com a maior justiça do mundo. Isso fora tudo que aconteceu fora de campo: simpatia, demonstrações de carinho com o Brasil e com o povo brasileiro, vontade de participar e de aprender, respeito pela nossa cultura e nossa tradição.

Pensando bem, os alemães eram compeões muito antes dessa final.

Deutschland, Weltmeister 2014!

Alemanha 1 x 0 Argentina: Jogo duro pra um campeão merecido

O time alemão, aquele que veio se preparando há 14 anos, montando uma base sólida, planejando, cuidando dos seus jovens e de sua liga local, é campeão do mundo.

Não foi um jogo fácil. Poucas chances reais de gol nos 90 minutos culminaram no 0x0 e na prorrogação. A marcação estava muito acertada dos dois lados.

A Argentina se utilizou do caminho que o Brasil tentou e fracassou: o lado esquerdo da defesa, com o hesitante (e definitivamente PÉSSIMO na lateral) Howedes. Algumas boas chegadas, mas nenhuma com grande efeito. O próprio Messi caiu por ali pouquíssimas vezes.

Já a Alemanha tinha a bola e tentava bolas enfiadas e dribles pra chegar na frente do goleiro Romero, mas o setor responsável pela armação não estava em um dia inspirado. Schweinsteiger e Kroos não conseguiam achar os espaços e muitas vezes se perdiam na marcação acertada.

E eis que entra Götze pra decidir.

Prorrogação difícil, muito pegada, a Alemanha jogando melhor e não conseguindo matar o jogo. Em um lance de craque, digno de uma final de Copa do Mundo, Götze recebe a bola pela ponta esquerda da grande área, domina com um toque e finaliza com outro. Sensacional.

E Messi? Ele teve uma cobrança de falta no “pé bom” logo depois, praticamente o último lance do jogo. Mandou a bola na lua e saiu com uma risada sem graça. Final de Copa melancólico pro craque argentino, que poderia (forçando MUITO a barra) chegar próximo de Maradona caso ganhasse na final. Acabou levando, injustamente, o título de melhor da Copa.

Parabéns para a Alemanha, tetracampeã do mundo e o primeiro país europeu a ganhar uma Copa nas Américas!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Van Gaal está certo: terceiro lugar não vale nada

Antes de criticar a própria existência da disputa do terceiro lugar como uma partida numa Copa do Mundo, eu tento entender o motivo dela existir.

Pelo princípio da competitividade, a disputa do terceiro lugar tem um valor muito relativo. O jogo deste sábado, entre Holanda e Brasil, não vale rigorosamente nada para os dois: o Brasil, de ressaca violenta depois da surra que levou, encara uma Holanda que tentou seu primeiro título na história depois de ser vice pela terceira vez na última Copa. Terceiro lugar pra esses dois gigantes? Pra quê?

Claro que existem outros casos. Em 1994, era interessante para Suécia ou Bulgária o terceiro lugar, assim como a Croácia brigou muito em 1998 e a Turquia e Coréia do Sul também em 2002. A própria seleção de Portugal tentava igualar uma campanha histórica em 2006. Mas são situações interessantes para países de pouca tradição em Copas – o que não é o caso neste ano.

A partida existe mesmo é para vender ingresso e ter mais jogos na Copa do Mundo. Dinheiro, meus amigos. O pior é que normalmente é um jogo divertido, com as duas seleções visando mais o gol do que normalmente, já que têm pouca responsabilidade. Tirando isso, é meio alheio a qualquer coisa.

Para fins de competição, não gosto desse jogo. Mas se ele precisa existir, eu enxergo uma alternativa interessante: a disputa do terceiro lugar acontecer como preliminar da grande final. Assim, o “evento de encerramento” englobaria a própria festa, dois jogos de futebol,personalidades dos países envolvidos, a “passagem de bastão” simbólica para a próxima sede, etc. Um grande espetáculo de entretenimento de várias horas.

Mas do jeito que está hoje eu tenho a tendência a concordar com Van Gaal: não vale nada.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A zoeira não pode parar: Felipão e Parreira continuam?

O excelente Paulo Vinícius Coelho deu a notícia ao vivo, na ESPN Brasil, e que vocês podem conferir aqui: A tendência é a CBF propor para Felipão e Parreira que continuem com o seu trabalho.

É realmente incrível como o futebol parece ser um mundo completamente descolado da realidade humana.

Você, trabalhador do meu Brasil, coloque-se no lugar deles: você tinha um projeto ambicioso que deveria ser cumprido em 7 etapas. Consegue, mal e porcamente, passar pelas 5 primeiras. Quando chega na sexta, faz uma besteira grotesca, não consegue corrigir e tudo vai por água abaixo, no maior vexame da história de 100 anos da sua empresa.

Agora imagina que você, depois disso tudo, ainda é cogitado para continuar na liderança desse projeto.

Pergunte ao BAP o que ele acha:



Não tenho mais nada a acrescentar a essa insanidade. Enquanto a Confederação Brasileira de Futebol continuar a ser gerida por pessoas que não entendem E não gostam de futebol, é isso que veremos.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Holanda 0 (2) x (4) 0 Argentina: Tá explicado

Há poucos dias, quando van Gaal tirou Cillessen e colocou Krul, veio uma chuva de pedras intensa. Parecia loucura tirar um goleiro que fora muito bem na Copa do Mundo até ali para colocar um reserva, frio, para defender pênaltis. Obviamente o titular saiu irritado – mas parece que passou logo, já que foi o primeiro a abraçar o companheiro depois da vitória sobre a Costa Rica.

E eis que, hoje, Cillessen teve a sua chance contra a Argentina.

Tá explicado porque Krul entrou.

São duas habilidades diferentes: defender durante um jogo normal e defender pênaltis. Ter uma não quer dizer que o cidadão tenha o outro.

Enquanto Krul teve a malícia, a malandragem de fazer os costarriquenhos mudarem o canto, atrapalharem suas cobranças e ir em todas as bolas – algumas ele não alcançou, lógico – Cillessen ia frouxo. Ou não alcançava ou, como no caso da última cobrança, não ia com a volúpia necessária pra defender.

Van Gaal mostrou hoje que estava certo nas quartas.

Nos 120 minutos de bola rolando, tudo o que não vimos ontem: marcação intensa e ocupação de espaços. Mascherano foi um monstro no combate e nem, pasmém!, Messi conseguiu ser efetivo. Uma ou duas escapadas.

Do lado holandês, van Persie parece ter deixado seu futebol na primeira fase. Robben, coitado, até tentou com suas tradicionais corridas e cortadas, mas hoje nada aconteceu. Sneijder, então, parece que não veio pra Copa.

A Holanda encara o Brasil num jogo modorrento sábado, enquanto a Argentina joga contra a Alemanha domingo – repetição das finais de 1986 e 1990.

Tá acabando a Copa, amigos...

O escudo e a peneira

Ontem foi o dia em que quase nada podia dar errado. Só que aconteceu uma catástrofe sem precedentes.

Explico.

O Brasil era o favorito natural por jogar a Copa do Mundo em casa, ter 5 títulos no currículo, por ter vencido a Copa das Confederações, etc. Tudo aquilo que a gente já sabe. Perder nas oitavas pro Chile ou nas quartas pra Colômbia jogando aqui seria um vexame histórico.

Eis que passamos para a semifinal, perdemos o nosso capitão e o nosso melhor jogador (que, verdade seja dita, não estava jogando bem). Com isso, ganhamos nosso escudo perfeito.

Perfeito porque qualquer situação envolvendo Brasil, Alemanha, Holanda e Argentina seria considerado plenamente normal. São times de camisa muito pesada, de grande história e de material humano suficiente para ser campeão do mundo, qualquer que fosse.

E está feito o escudo: a Seleção Brasileira, sem o seu capitão e o seu craque, poderia perder pra Alemanha que seria “perfeitamente normal”. Poderia ganhar também, “normal”. Poderia perder ou ganhar a final, o terceiro lugar, enfim. A obrigação doentia de ganhar (citada pelo próprio Parreira antes da Copa começa) acabara.

Ah, o futebol e suas ironias. O escudo virou peneira.

Perder para esse ótimo time alemão é normal. Tomar uma goleada acachapante de 7x1 com direito a baile e apagão total da defesa, em casa e com o time sem ter a menor noção de como reagir, não.

Ainda estamos digerindo o que aconteceu. Não dizem que é difícil para quem está vivenciando conseguir notar a história passando na frente dos olhos? Pois é. O que vimos ontem foi a história sendo escrita.

A pior derrota da história da Seleção Brasileira, a maior diferença de gols numa semifinal de Copa do Mundo, Klose passando Ronaldo como maior goleador da história.

Sabe o dia em que absolutamente tudo dá errado? Pois é.

O escudo era perfeito. O problema é que o tiro saiu pela culatra. Virou peneira.

Agora sai de baixo, porque tá voando pra todo lado.